# Alpedrinha – O operário/empresário do ferro forjado.

- **Autor:** Padre Hugo Martins
- **Data:** 2015-04-10T18:00:22+00:00
- **Categoria:** António Alves Fernandes
- **URL Original:** https://padrehugo.com/blog/alpedrinha-o-operarioempresario-do-ferro-forjado

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# Alpedrinha – O operário/empresário do ferro forjado.


### Muito jovem, aos dezassete anos, subiu a zona sul da Serra da Gardunha e apresentou-se ao serviço numa das melhores oficinas de formação da cidade fundanense.


### As salas de aula eram as diversas dependências oficinais da Empresa de Reis Miguel, empresário que foi um grande professor e mestre para muitos jovens que trabalhavam o ferro: “não havia ninguém como o Senhor Reis Miguel para ensinar. Não era de palavrinhas mansas, ensinava com autoridade, competência invulgar, conhecimento da matéria e boa transmissão de ensinamentos. Ele explicava com se utilizavam as ferramentas, como se devia trabalhar.


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### Tinha lugar em qualquer Escola Industrial, sem necessidade de fazer exames de conhecimentos. Devo-lhe tudo o que sei nesta arte de trabalhar o ferro”.


### Esteve sete anos a trabalhar nessa empresa da serralharia civil e o seu maior orgulho foi a cobertura geral da garagem e oficinas da Auto Transportes do Fundão. A maioria não vê nem tem conhecimento da técnica e da arte para tal execução. Basta dizer que as armaduras em ferro são cobertas com telhas de alumínio de cinco milímetros.


### Na procura de melhor vencimento, seguiu para Lisboa, pois no interior nem sempre se dá valor a quem tem qualidade e saber. Foi trabalhar para os Laboratórios Astral, onde construía principalmente jaulas para macacos-cobaias, usados em experiências farmacêuticas e médicas. Executou com tal perfeição esses trabalhos que a administração o requisitou para elaborar recipientes para medicamentos, sendo colocado no “ meio de muitas mulheres funcionárias.” Aqui o nosso Homem recorda o paraíso perdido: “Sabe, é a velha história, Adão e Eva divertiam-se no Jardim do Éden e comeram o fruto proibido. O Deus-patrão não gostou e eu tive que fazer as malas para outras paragens”.


### Transitou para uma Empresa de Material Elétrico, e começou a fazer quadros elétricos em aço inoxidável, trabalho difícil de realizar. Além disso, fazia muitos cestos e carrinhos nesse material, para colocar e transportar as roupas dos utentes da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.


### Nesta empresa ficará para sempre guardada na sua memória a colocação, no extinto Cineteatro Monumental, do primeiro ecrã de cinemascope. Tinha um sistema automático, que abria ou fechava conforme a amplitude da película a projetar. O primeiro filme a ser projetado em cinemascope, estreia à qual assistiu, foi “ Vinte Mil Léguas Submarinas” de Richard Fleischer. Ganhava muito perto dos três mil escudos, quando um professor não chegava aos dois mil escudos.


### Teve entretanto uma proposta tentadora de Angola, que só não se concretizou devido às “burocracias”: licenças, vacinas, turbilhão de documentos…


### Não percorreu o Atlântico, mas avançou temerário para os Pirinéus, seguindo o método de milhares de portugueses quando “assaltaram” a França. Aí trabalhou uma dezena de anos, o que lhe permitiu regressar mais tarde e constituir uma empresa em Alpedrinha, especializada em trabalhos gerais de serralharia, com uma grande vertente de trabalhos em ferro forjado.


### Na sua ex-oficina de serralharia guarda para a prosperidade algumas peças de ferro forjado, são autênticas obras de arte.


### Abandonou a arte com o desgosto por esta não ter continuidade nas gerações seguintes: “ é uma arte trabalhosa, difícil e maravilhosa”.


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### António Alves Fernandes


### Aldeia de Joanes


### Abril/2015


Alpedrinha
