# Missa Crismal 2026: Homilia de D. José Pereira e Renovação das Promessas Sacerdotais

- **Autor:** Padre Hugo Martins
- **Data:** 2026-04-02T18:24:19+00:00
- **Categoria:** Igreja
- **URL Original:** https://padrehugo.com/blog/missa-crismal-2026-homilia-de-d-jose-pereira-e-renovacao-das-promessas-sacerdotais

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Hoje vivemos um momento de profunda comunhão com a celebração da Missa Crismal. Presidida pelo nosso Bispo, D. José Pereira, esta eucaristia reuniu o clero diocesano num espírito de fraternidade para a tradicional renovação das promessas sacerdotais e para a bênção dos Santos Óleos (o Óleo dos Catecúmenos, o Óleo dos Enfermos e a consagração do Santo Crisma), que irão acompanhar os sacramentos nas nossas paróquias ao longo de todo o ano.





Foi uma celebração marcada pela forte mensagem deixada aos sacerdotes e a todos os fiéis. Partilhamos convosco a inspiradora Homilia proferida por D. José Pereira, que nos convida a refletir sobre a nossa missão pastoral.





(Podes ler a homilia completa em texto no site da Diocese aqui: Homilia Episcopal - Missa Crismal 02 de Abril de 2026)






# Homilia Episcopal: Missa Crismal 02 de abril de 2026





8 horas ago





«Àquele que nos ama e pelo seu sangue nos libertou do pecado e fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai, a Ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amén»&nbsp;(Ap&nbsp;1, 5a-6).





Esta&nbsp;celebração da missa crismal, durante a qual abençoamos os óleos que durante o ano servirão para as diferentes unções sacramentais – dos baptizandos, dos crismandos, dos doentes, dos ordinandos – testemunha também estas&nbsp;passagens&nbsp;da Escritura&nbsp;que acabámos de ouvir.





De facto, pela unção sacramental Cristo&nbsp;predispõe e&nbsp;comunica a todos os discípulos o mesmo e único Espírito do Senhor que O ungira e enviara, e faz de nós um reino de sacerdotes, libertos do pecado pelo seu sangue, alimentados à mesa do seu corpo e participantes da sua missão libertadora.





Assim nos ensina o 2º Concílio Vaticano, na Constituição dogmática&nbsp;Lumen&nbsp;Gentium:&nbsp;«os fiéis, por sua parte, concorrem para a oblação da Eucaristia em virtude do seu sacerdócio real, que eles exercem na recepção dos sacramentos, na oração e acção de graças, no testemunho da santidade de vida, na abnegação e na caridade operosa&nbsp;[…].





O Povo santo de Deus participa também da função profética de Cristo, difundindo o seu testemunho vivo, sobretudo pela vida de fé e de caridade&nbsp;[e]&nbsp;por meio do sentir sobrenatural da fé do povo todo.





Além disso,&nbsp;[o]&nbsp;Espírito Santo […] distribui também graças especiais entre os fiéis de todas as classes, as quais os tornam aptos e dispostos a tomar diversas obras e encargos, proveitosos para a renovação e cada vez mais ampla edificação da Igreja»&nbsp;(LG 10.12). Vejamos, por partes, cada uma destas dimensões do povo ungido do Senhor: sacerdotal, profética e real.





A dimensão sacerdotal consiste na santificação de vida&nbsp;que não é um autoaperfeiçoamento mas&nbsp;uma transformação que se alimenta&nbsp;na oblação da Eucaristia,&nbsp;a qual&nbsp;actualiza a libertação do pecado&nbsp;pelo sangue de Cristo&nbsp;e a inserção no corpo&nbsp;da Igreja pelo alimento do corpo&nbsp;de Cristo.





Aprofundaremos esta meditação na homilia desta tarde, ao celebrarmos a refeição memorial da instituição da eucaristia e do sacerdócio ministerial. Neste momento apenas quero reforçar o que já vos disse na última das sete catequeses que fui pregando nesta Quaresma, e que vos convido a ler:&nbsp;não há vida nova em&nbsp;Cristo sem comunidade cristã, não há comunidade cristã sem Domingo e o coração do Domingo é a assembleia eucarística dominical.





Nós precisamos de estar presentes na celebração que traz até ao nosso hoje a ceia de Jesus que antecipou a&nbsp;Páscoa. Essa ceia que nos permite ouvir a sua voz, comer do seu Corpo e beber do seu Sangue, e ser alcançados pela potência da sua Páscoa. Sem ela, ficamos apenas por uma vaga participação na vida de Jesus.





Nós precisamos de estar presentes na&nbsp;assembleia dominical paroquial&nbsp;pela qual se edifica&nbsp;a&nbsp;Igreja e alimenta a dimensão sacerdotal dos fiéis.&nbsp;Não basta&nbsp;estar&nbsp;quinzenal ou mensalmente, ou trocar por um dia de semana.&nbsp;Sem o domingo perdemos a novidade cristã e facilmente podemos resvalar para uma espiritualidade religiosa entre outras.





Onde não houver eucaristia dominical, deverá haver assembleia dominical de louvor, acção de graças, súplicas e escuta orante da Palavra de Deus.&nbsp;A&nbsp;nossa&nbsp;dimensão sacerdotal&nbsp;de fiéis&nbsp;convoca-vos, queridos leigos,&nbsp;a assumir, com a devida preparação,&nbsp;a missão de conduzir&nbsp;estas assembleias sem missa. É preciso&nbsp;discernir,&nbsp;com os párocos, quem é chamado&nbsp;e&nbsp;deve&nbsp;preparar-se para tal.





Nesta hora da nossa Diocese, temos de olhar com determinação para esta realidade. Podemos correr o risco de querer manter eucaristias dominicais que já não são capazes de reunir uma assembleia, construir uma comunidade, formar um corpo com membros de diferentes gerações, constituir uma casa que acolhe, enviar discípulos em missão, renovar-nos como reino de sacerdotes para Deus.





Todas&nbsp;as pessoas e lugares precisam de não ser abandonados e continuar a ter assistência espiritual e presença do pároco&nbsp;e de outros ministros, que os visitem&nbsp;com regularidade durante a semana. Sobretudo os mais frágeis que já não se conseguem deslocar.





Mas aqueles que ainda o podem fazer, precisam de ser reencaminhados para assembleias eucarísticas dominicais que alimentem neles a pertença comunitária a uma paróquia,&nbsp;isto é, a uma&nbsp;comunidade&nbsp;inter-geracional&nbsp;de famílias e grupos, de vocações e serviços, de configuração&nbsp;da identidade&nbsp;cristã e crescimento espiritual, de participação&nbsp;na vida da Igreja&nbsp;e envio missionário.





Olhemos agora a dimensão profética. Não se trata do simples testemunho de quem dá bom exemplo de cidadania, de honestidade e competência no trabalho, de bondade no trato, de convicções religiosas respeitadoras de quem crê diferente ou não crê. Tudo isto é necessário e bom.





Mas o dinamismo profético, ouvíamos,&nbsp;é&nbsp;a difusão do testemunho vivo de Cristo, pela vida da fé&nbsp;e de caridade, que não se limita a um conjunto de doutrinas e valores, mas oferece um proposta&nbsp;de redenção, iluminação, libertação e graça&nbsp;para omundo. No respeito pela autonomia das realidades seculares e pela liberdade religiosa,&nbsp;somos enviados ahabitar o espaço público,&nbsp;partilhando-o com outrasvisões filosóficas, religiosas ou ateias,&nbsp;mas&nbsp;contribuindo activamente&nbsp;para a construção social e cultural.





Sem&nbsp;nos&nbsp;retirarmos&nbsp;para a exclusividade do espaço das&nbsp;igrejas ou das consciências individuais.&nbsp;Sem&nbsp;temer que&nbsp;a nossa presença ofenda&nbsp;quem&nbsp;crê&nbsp;diferenteou não crê;&nbsp;sem impor nem pedir favores; sem precisar de licença&nbsp;nem ser arredado de lugares públicos como se a neutralidade do Estado fosse “ou todos ou ninguém”.





Olhemos agora a dimensão real. Trata-se de participar, segundo o modo próprio da vocação de cada um, no cuidado da construção e condução da comunidade.&nbsp;Tanto&nbsp;na disponibilidade para assumir serviços e ministérios, em comunhão com os párocos,segundo as necessidades da comunidade; como nocuidado da comunidade diocesana, em áreas e sectores que estejam necessitados.





São necessários fiéis leigos que assumam&nbsp;responsabilidades de animação pastoral&nbsp;e formação da fé nas&nbsp;paróquias e anexas; de animação&nbsp;deassembleias&nbsp;cristãs&nbsp;de oração&nbsp;em lares, prisões, casas de saúde;&nbsp;de&nbsp;animação&nbsp;de grupos&nbsp;com quem&nbsp;não participa plenamente na assembleia eucarística; de orientação&nbsp;de exercícios espirituais, grupos bíblicos,formação doutrinal.





São necessários&nbsp;casais que se&nbsp;preparem&nbsp;para assumir responsabilidades&nbsp;de&nbsp;animação pastoral&nbsp;das famílias,em áreas como&nbsp;o namoro&nbsp;e a&nbsp;viuvez, a liturgia doméstica e a educação da fé dos filhos, e espiritualidade conjugal e o cuidado na doença crónica e incapacitante. E com atenção pastoral às situações de fragilidade&nbsp;e&nbsp;ruptura, e&nbsp;às&nbsp;diversas&nbsp;configurações de lares constituídos.





São necessárias&nbsp;mulheres que assumam mais&nbsp;serviços e possíveis ministérios em lugares de responsabilidade e condução na comunidade&nbsp;diocesana.&nbsp;Além da&nbsp;lógica do debate social do acesso da mulher a funções de liderança.&nbsp;No horizonte davalorização&nbsp;do&nbsp;que é&nbsp;singular e complementar&nbsp;entre&nbsp;o feminino e o masculino, a partir da simbólica bíblica, em ordem ao&nbsp;crescimento da fé e da&nbsp;comunidade.





Nesta&nbsp;mudança epocal,&nbsp;marcada pela&nbsp;crise da dimensão comunitária e do sentido&nbsp;sobrenatural&nbsp;da vida,&nbsp;e&nbsp;pelo&nbsp;advento da Inteligência Artificial e&nbsp;do&nbsp;chamado&nbsp;transumanismo ou pós humanismo,&nbsp;tanto a visibilização da dimensão materna&nbsp;da solicitude&nbsp;de Deus,&nbsp;como a esponsalidade feminina consagrada ao Senhor&nbsp;ao serviço de uma nova&nbsp;fraternidade podem inspirar novos&nbsp;serviços&nbsp;de relevo.





Associados à gestação&nbsp;e condução&nbsp;de novas reconfigurações comunitárias do corpo (eclesial) de Cristo,&nbsp;à definição de&nbsp;novos paradigmas de anúncio do querigma pascal, a novas linguagens de transmissão&nbsp;da fé, à iniciação cristã de adultos num mundo não cristão.





O 2º Concílio do Vaticano, no mesmo documento,ensina também que no seio deste sacerdócio real de todo o povo,&nbsp;existe&nbsp;e serve-o o sacerdócio ministerial. Diz-nos a&nbsp;Lumen&nbsp;Gentium&nbsp;que&nbsp;«o sacerdote ministerial,&nbsp;pelo seu poder sagrado, forma e conduz o povo sacerdotal, realiza o sacrifício eucarístico fazendo as vezes de Cristo e oferece-o a Deus em nome de todo o povo»&nbsp;(LG 10).





Também chamados “Sacerdotes do Senhor” e “Ministros de Deus”, nesta Missa crismal podemos acompanhá-los na renovação das suas promessas sacerdotais que irão fazer daqui a pouco, rezando com eles e por&nbsp;eles.





Dirijo-me agora a vós, queridos padres. Por este nome pelo qual o santo povo de Deus vos chama, ele mesmo sinaliza que espera de vós que, à maneira de Jesus, sejais para ele&nbsp;o rosto e&nbsp;a presença visível e próxima da paternidade de Deus.





De modo semelhante, a Igreja chama-vos de pastores. Sinaliza que renunciastes a outras ocupações e trabalhos para serdes,&nbsp;inteiros&nbsp;e em todo o tempo, guias e nutridores dos fiéis que estão confiados&nbsp;ao vosso pastoreio.





Diz também de vós, agirdes&nbsp;in persona Christi&nbsp;Capitis, isto é, na pessoa de Cristo Cabeça, sinalizando a vossa consagração a Cristo,&nbsp;no ser e no agir,&nbsp;e à Igreja seu Corpo.





Essa consagração, ensina a Igreja na encíclica&nbsp;Pastores&nbsp;dabo&nbsp;vobis,&nbsp;é vivida como configuração a Cristo Pastor à maneira do Esposo que se entrega à Igreja sua esposa, e Cabeça à maneira do Servo, qua dá a vida pela salvação da multidão.





Por isso renunciastes à conjugalidade para amardes a Igreja inteira, primeiramente na&nbsp;Diocese,&nbsp;como a vossa esposa;&nbsp;e renunciastes ao mando e a projectos pessoais para terdes como vossos os amores e os projectos de Cristo.





Com todo o povo santo da nossa Diocese quero agradecer-vos publicamente a vossa entrega generosa, tantas vezes abnegada, tantas outras na discrição e sem&nbsp;que&nbsp;alguém se aperceba,&nbsp;senão o próprio Deus. E rezamos por vós, para que sempre vos sustente o Espírito Santo, na renovação de tão generosa entrega.





Irmãs e irmãos, a minha última palavra vai para o nosso Seminário da Guarda. Precisamos de cuidar dele com renovado empenho e dedicação.&nbsp;Ele é o coração&nbsp;da Diocese,&nbsp;enquanto instância de promoção da pastoral vocacional de rapazes e raparigas, de oferta de formação espiritual e pastoral a todos, e garante do&nbsp;acompanhamento&nbsp;dos nossos seminaristas em&nbsp;&nbsp;chave missionária e sinodal.





Para&nbsp;conseguir maior alcance nesta intenção que já vinha sendo implementada, informo que, depois de ouvidos os diferentes Conselhos diocesanos, os nossos seminaristas irão ser recebidos no Seminário de&nbsp;Lisboa a partir do próximo ano.&nbsp;Para&nbsp;esta realidade de que vos dou notícia, peço a vossa oração.






Abaixo, podes ouvir a homilia completa e ver alguns dos registos fotográficos desta celebração marcante.






https://youtu.be/UFpF5U_U7Es





Celebração da Missa Crismal com a forte presença do clero diocesano em comunhão.



D. José Pereira a presidir à Missa Crismal, ladeado por sacerdotes concelebrantes.
