# O AZEITE

- **Autor:** Padre Hugo Martins
- **Data:** 2019-02-12T21:00:30+00:00
- **Categoria:** António Alves Fernandes
- **URL Original:** https://padrehugo.com/blog/o-azeite

---

# O AZEITE


Hoje lembrei-me de escrever sobre o azeite, depois do fim da apanha da azeitona nos olivais da Beira Baixa, principalmente da casta galega, embora ultimamente se plantem árvores de outras castas mais rentáveis, sem a qualidade da primeira.


As azeitonas, depois de terem passado pelos suplícios dos lagares, dão aos olivicultores o preciso líquido…


[audio mp3="https://padrehugo.com/wp-content/uploads/2019/02/O-AZEITE.mp3" loop="true" autoplay="true" preload="auto"][/audio]
Nos tempos actuais substituíram-se as varas, as mós, os utensílios artesanais, a força humana e animal, por novas tecnologias de moagem. No entanto, há quem afirma que o azeite obtido por meios arcaicos era melhor, tinha outras “liturgias”.


Com as normas exigentes da CEE, esses lagares foram desactivados, outros foram transformados em museus, curiosidades turísticas, alguns simplesmente destruídos. 


O azeite é um clássico da culinária portuguesa com benefícios para a saúde. 


Quem não gosta, principalmente na Noite da Consoada, de um bom azeite para amolecer as couves, adocicar as batatas e enriquecer o bacalhau? Este prato de excelência, bem português, tem no azeite o seu principal segredo.


Em tempos mais antigos, também as nossas casas eram iluminadas por almotolias alimentadas com azeite, a única substância de onde surgia uma fonte de luz artificial. Esta chama viva era em muitas igrejas a luz sempre presente junto do sacrário, do Santíssimo Sacramento. Hoje usa-se a electricidade, embora em muitas localidades se mantenha a tradição antiga.


Para se comemorar a Festa do Azeite, decorreu no Fundão durante vários dias o 14º Festival da Tibórnia, participando diversos restaurantes do concelho, sinal de que o azeite está vivo e a regar bem a tradição. Bem-vindo azeite novo!, é o que parece dizer o prato satisfeito quando recebe o primeiro fio a escorrer deste produto fundamental na dieta mediterrânica. 


As propriedades do azeite são inúmeras e dão à comida sabor e aromas peculiares. Além disso, o azeite tem anti-gorduras, é rico em vitaminas e em antioxidantes.


É altamente energético, uma vez que as gotículas extraídas das azeitonas estão protegidas por uma membrana constituída por glicéreos.


Quanto aos benefícios, temos a redução da acidez gástrica, a prevenção dos problemas cardiovasculares e o controlo dos níveis do colesterol.


Contribui para o crescimento e mineralização dos ossos, para a conservação dos tecidos, retardando o envelhecimento.


Quem comprar azeite, tem de ter atenção ao grau de acidez, mas também ao cheiro e sabor. Os azeites virgens e super virgens dominam o mercado português, mas há quem prefira com mais acidez, dizem “a saber mais a azeite.” Há sabores para todos os gostos.


Também na Cova da Beira, Penamacor, Caria e Belmonte, se fabrica sob orientação do rabino o azeite “KOSHER“ - para consumo da comunidade judaica em Portugal e no resto do mundo.


Para terminar, recordo o poema de Moreira das Neves: “Oliveiras cor de luto/Dão azeite cor de mel/Também os livros dão fruto/Entre folhas de papel.”


António Alves Fernandes


Aldeia de Joanes


Janeiro/2019
