# RECORDAR HERMANO NICOLAU MARIA LAMBERS – PADRE DAMASO

- **Autor:** Padre Hugo Martins
- **Data:** 2018-03-07T18:00:05+00:00
- **Categoria:** António Alves Fernandes
- **URL Original:** https://padrehugo.com/blog/recordar-hermano-nicolau-maria-lambers-padre-damaso

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RECORDAR HERMANO NICOLAU MARIA LAMBERS – PADRE DAMASO


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 Conheci o Padre Dâmaso há quase meio século, quando em concurso público entrei para os Serviços Prisionais. Desde o nosso primeiro encontro ficámos amigos.


 Nasceu na Holanda e na sua terra brincava com outras crianças, de religiões diferentes. Entrou para a Congregação dos Sagrados Corações de Maria. Ordenado sacerdote quis ir missionar para a Polinésia. Porém em Maio de 1957 veio para Portugal e nunca mais regressou ao seu País, obtendo a nacionalidade a nacionalidade portuguesa. Pregou retiros a padres, integrou missões populares e colaborou na introdução dos Cursilhos de Cristandade em Portugal.


 Em 1959 iniciou a missão pastoral nos Estabelecimentos Prisionais durante mais de cinquenta anos, nunca abandonando a Cadeia do Linhó, a sua casa até à sua morte. 


 Nessa qualidade visitou-me três vezes no Estabelecimento Prisional de Castelo Branco, deixando diretrizes práticas ao nosso Assistente Religioso e Voluntários. 


 Participei em diversos Encontros Nacionais em Fátima, Leiria e Lisboa. Num deles os Visitadores Voluntários manifestaram a sua grande preocupação por não terem um assistente e alguns ultrapassados das realidades prisionais. O Padre Dâmaso ouviu-as com atenção e interrogou-os quantos filhos tinham e quantos mandaram para os Seminários. Não mandateis nenhum, e quereis que eu os vá buscar às Caldas da Rainha. 


 Dada a sua sabedoria, a sua comunicabilidade, a vivência de estar sempre junto das periferias sociais, sempre junto dos marginais, excluídos e pobres fundou em meados dos anos a Associação o Companheiro, nuns terrenos cedidos pela Câmara de Lisboa, com a preocupação da reinserção de ex-reclusos.


 Em 1976 foi uma presença diária nos microfones da Rádio Renascença, com um Programa Caminhos da Vida e na Rádio Sim com o Apontamento Boa Noite, com um enorme carisma de comunicador. Nos estúdios da R.R. tem uma sala a evoca-lo com o seu nome.


 Numa manhã fria dos fins de Fevereiro, através do circuito interno de televisão das Irmãs Hospitaleiras de Condeixa, li a notícia da sua morte. Esperei que se repetisse para acreditar. O meu pensamento para a sua figura alta, desassombrada, com uma voz forte de abanar consciências adormecidas, no meu silêncio rezei a Deus para o receber no seu Reino.


 Uns meses antes marquei uma entrevista para escrever uma crónica. Disse-me para aparecer quando quisesse nos Estúdios da R.R., e o respetivo horário. Informei-o mais tarde, que me encontrava doente e logo que me restabelecesse irei ter com ele.


 Com o seu falecimento já não é possível, talvez um dia, na eternidade tenhamos esse encontro.


 A comunicação social escrita e falada não lhe deu o relevo que merece um HOMEM, cheios de humanidades. 


 Recebeu das mãos de Cavaco Silva a Condecoração de Grande Oficial da Ordem de Mérito,


Foi homenageado pela Prision Felowship International e Marcelo Rebelo de Sousa enalteceu a


 Obra deste Grande Missionário e compareceu no velório. No caminho para o Cemitério o


Corpo passou pelo Estabelecimento Prisional do Linhó, a sua última morada Terrestre.


 Levou consigo dois GRANDES AMORES – OS RECLUSOS E A RÁDIO RENASCENÇA, e nunca


Ninguém esquecerá a sua habitual frase, “ JESUS É FANTÁSTICO.”


 Em memória do Padre Dâmaso, transcrevo o poema “ CAMINHO DA LIBERDADE”, do Escritor


Miguel Santos, no seu Livro “ A AZENHA DERRUBADA.”





CAMINHO DA LIBERDADE





Ser livre é permitir que a alma frutifique em terra de ninguém, terra fértil, terra preta, o húmus da solidão.


Nessa terra, posso ver as neblinas que chegam com o frio da noite e envolvem lentamente os ramos dos choupos. Caminhando é possível alcançar as árvores, mas a neblina afasta-se.


Nessa terra, caminho só, oiço o silêncio do inverno e fico suspenso no tempo sem chegar ao destino.





António Alves Fernandes


Aldeia de Joanes


Março/2018
