Ascensão do Senhor
Padre Hugo Martins
Paróquia de Padre Hugo
Ascensão do Senhor
“Vós sois testemunhas disso”
Os apóstolos são testemunhas do cumprimento da Escritura no que diz respeito ao mistério pascal de Jesus. Ao mesmo tempo, eles devem continuar o cumprimento da Escritura. Eles são testemunhas da paixão e ressurreição de Jesus, que acontecem segundo as Escrituras. Por sua vez, têm como missão anunciar em nome de Jesus o arrependimento e o perdão dos pecados, segundo a predição das mesmas Escrituras. Em Jerusalém, os apóstolos acompanham, ainda que de longe, a paixão e encontram-se, por diversas vezes, com Jesus ressuscitado. Depois, a começar por Jerusalém, devem pregar e testemunhar a todos que Jesus, vencendo o pecado com a sua morte e ressurreição, é o único Salvador da humanidade.
Jesus não quer que os apóstolos se limitem a ser meros pregadores do seu Evangelho ↗. Prefere e exige que sejam testemunhas. Testemunhas não só no sentido de transmitirem o que realmente ouviram e viram, mas também que as pessoas possam ver nas suas vidas a verdade do que anunciam. Não é fácil anunciar com verdade e testemunhar com convicção o mistério de Jesus e fazer que ele chegue a todas as nações, ao coração de cada homem. Isso vai muito para além do que é humanamente possível. Por isso mesmo, e uma vez mais, Jesus promete-lhes o Espírito Santo, “Aquele que foi prometido pelo Pai”. Só o Espírito Santo os tornará capazes de atingir a verdade de Jesus e fazer deles suas testemunhas credíveis.
Com estas últimas considerações, em que, por um lado, evidencia o pleno cumprimento da Escritura e, por outro, o essencial da missão dos apóstolos, Jesus dá por concluída a sua missão na terra. Então, junto de Betânia, “foi elevado ao Céu”. Os apóstolos viram Jesus afastar-se deles e deixaram de O ver. Não se trata propriamente de uma surpresa. Na verdade, Jesus tinha-lhes dito previamente que Ele deveria regressar a casa do Pai a fim de aí preparar um lugar para eles. Mais, que era seu desejo que gozassem, um dia, juntamente com Ele, a glória eterna de Deus (Cf Jo 14,3). Entretanto, enquanto percorrem os caminhos deste mundo, faz parte da sua missão, falarem e darem testemunho da vida e dos bens que nos esperam no Céu.
A Ascensão de Jesus, o deixar o modo de vida terrena, sujeito às limitações do espaço e do tempo, diz-nos que também nós estamos aqui de passagem, esta não é a nossa cidade definitiva. Mostra-nos que a meta da nossa existência, a praia do nosso repouso, o monte de todos os horizontes, o jardim de todos os sonhos, a verdadeira terra prometida é a pátria que está no Céu. Só o Céu de Deus responde e corresponde ao nosso desejo de viver sempre. Todo o tempo do mundo não é suficiente para satisfazer a nossa ânsia de eternidade. Além disso, só o amor de Deus responde e corresponde ao nosso desejo mais íntimo e radical de uma vida plenamente feliz. Com efeito, todos os amores deste mundo, mesmo os mais generosos e puros; todos os gozos desta vida, mesmo os mais legítimos e intensos, não bastam para descansar completamente o coração do homem. O homem pressente que só pode repousar feliz quando viver em Deus, quando descansar no seu coração.
O Céu, o viver em Deus, o contemplá-l’O tal como Ele é constitui a meta final da vida. Quem efectivamente deseja chegar à meta não pode parar e permanecer inactivo a contemplá-la de longe. Deve percorrer o caminho com perseverança, procurando vencer, com coragem e determinação, os obstáculos que ele encerra. Se queremos chegar lá, onde Jesus já se encontra e nos espera, devemos viver, no nosso quotidiano, a nossa vocação e missão de baptizados, observando, em todas as circunstâncias, o que Ele nos ensinou.
Lucas termina o relato dizendo-nos que os apóstolos regressam a Jerusalém com alegria e que, enquanto esperam a chegada da “força do alto, se entregam à oração, permanecendo longamente no templo. Importa sublinhar: a vinda do Espírito Santo é preparada e como que apressada por meio da oração! Só quem se abre ao dom de Deus pode acolher o dom maior que é o seu Espírito. De resto, Jesus garante que Deus concede sempre o Espírito Santo àqueles que lho pedem na oração (Cf Lc 11,13).
Outras Leituras Recomendadas
"A Palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes."
←Voltar ao Blog