Um olhar na catequese atual

“ O Jovem será na idade avançada aquilo que o tiverem feito ser na sua infância” Livro dos Provérbios

Vem aí mais um ano de formação catequética, nas nossas comunidades cristãs, nas nossas paróquias, embora no meu modesto entendimento a formação na fé deva ser contínua, permanente. Neste momento recordo a preocupação dos meus saudosos Pais em ensinar-me a doutrina bíblica do Antigo e Novo Testamento, sem olharem a programas pré estabelecidos. Na família era o primeiro espaço de aprendizagem e de vivências evangélicas.

                Em finais de Setembro, primeiras semanas de Outubro, coincidindo com a abertura do ano escolar, vai iniciar-se o primeiro período da Catequese, com dois interregnos no Natal e na Páscoa, encerrando-se os trabalhos em finais de Junho do próximo ano.

                Nunca é demais relembrar que a educação cristã assenta em três principais pilares, sem esquecer outros. A primeira “ sala de aulas” está bem no centro do ambiente familiar, dentro do lar de cada um, no seio da família. É na comunidade familiar que se deve desenvolver o amor indispensável para o crescimento na fé. Os Pais devem ser os primeiros educadores e, no caso de se assumirem como cristãos, têm o compromisso de matricular os seus filhos na Catequese, de os acompanhar com vivências e atenção na formação educativa moral e religiosa.

                A Catequese não pode, não deve ser um espaço onde vamos despejar os nossos filhos para durante algum tempo não nos aborrecerem. Também a sua frequência não pode ficar ao livre arbítrio dos filhos: “ se não quiser ir, se não quiser continuar, eu não o obrigo. Isso é lá com ele ou com ela, eles é que decidem.” E se amanhã não quiserem ir à escola como será a reação desses Pais? Também cruzam os braços, também são os filhos a decidir?

                O segundo pilar é a Escola, espaço educativo por excelência, que colabora na formação integral, na construção de valores cívicos, sociais e humanos, contando com o apoio pedagógico e testemunho dos agentes educativos.

                O terceiro pilar é a comunidade cristã, onde está inserida a Catequese, a comunidade paroquial. É ali que se celebram os Sacramentos com a participação e testemunho ativo de todos os cristãos. A comunidade cristã não pode ficar indiferente ou alheia à formação das suas crianças. Os mais responsáveis devem incentivar os pais e os avós a matricularem os filhos ou netos. Devem estimular as crianças e os jovens com dinâmicas de diversa ordem, principalmente na área sócio caritativa e na participação nas liturgias. Alguém dizia que “ quando frequentava a Catequese em Aldeia de Joanes, uma senhora da comunidade, à saída, juntava os jovens em sua casa e distribuía umas doçarias e uns mimos.” Esta atitude era estimulante. Hoje tem de se descobrir e redescobrir formas para ajudar as nossas crianças e adolescentes a gostarem de estar e de frequentar as suas Catequeses.

Ainda há dias o Papa Francisco desafiou os Bispos Portugueses a encontrar resposta às seguintes perguntas:

1 – A juventude deixa a Catequese porque assim decide?

2 – Decide assim porque não teve interesse a oferta recebida?

3 – Não lhe interessa a oferta porque não dá resposta às questões e interrogações que hoje a inquietam?

4- Não será simplesmente porque, há muito, deixou de lhe servir o vestido da Primeira Comunhão e mudou…?

5 – É possível que a comunidade cristã insista em vestir-lho?

                O Papa teceu várias considerações muito oportunas sobre a juventude: aproveitar o seu dinamismo, a sua irreverencia, a sua capacidade para fazer a diferença na forma própria de celebrar a fé, que não se coaduna com tradições ou hábitos de gerações mais velhas.

O Papa Francisco fechou com chave de ouro: “ hoje a nossa proposta de Jesus não convence. Eu penso que nos guiões preparados para os sucessivos anos de Catequese está bem apresentada a figura de Jesus, talvez o mais difícil seja encontrá-Lo no testemunho de vida dos catequistas e da comunidade inteira.” Aqui está o principal problema.

António Alves Fernandes

Aldeia de Joanes

Setembro/2015

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