Se ele Me invocar, escutá-lo-ei, porque sou misericordioso. (cf. Ex 22,20-26)
Deus ama-nos a todos com o mesmo amor,
mas cuida mais cuidado dos que são mais frágeis.
Como um bom Pai-Mãe não liga às birras do caprichoso,
mas está atento ao gemido do pobre e do indefeso,
sobrecarregado pela injustiça e explorado como mercadoria.
A misericórdia de Deus é abrigo providente para o pobre
e apelo de justiça e conversão para o mau filho desfigurado.
A missão do Filho e do Espírito é modelar-nos um coração novo,
que só saiba amar, cuidar, acolher, perdoar, louvar.
Um dos sinais do tempos é a dignidade da pessoa humana.
No entanto, quando esta é distorcida pelo individualismo,
o centro deixa de ser as relações justas, fundadas no bem comum,
e passam a ser “os meus direitos” e o “meu bem-estar pessoal”.
Em nome do “eu todo poderoso” justifica-se o tráfico humano,
o aborto, a eutanásia, a injustiça, a corrupção, a mentira,
a destruição da natureza e do equilíbrio ecológico e social…
Num mundo centrado no indivíduo não há lugar para o amor,
para a gratuidade, para a festa inclusiva, para a misericórdia.
Senhor, misericórdia infinita a cuidar da criação,
faz-nos nascer de novo para o louvor perfeito
e para a fraternidade solidária, justa e compassiva.
Cristo, misericórdia divina com coração humano,
purifica-nos de todo o egoísmo que nos aliena dos outros
e nos endurece o coração, como carrascos cruéis.
Espírito de amor ensina-nos a amar os irmãos,
quando rezamos ao Pai e louvamos a sua misericórdia,
e a amar a Deus, quando nos relacionamos com os outros,
e cuidamos deles como de nós mesmos.
Pe. José Augusto

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