Feliz aquela que acreditou

Maria percorreu o seu caminho até ao fim e atingiu a plenitude da vida, encontrando-se no Céu, à direita de Deus! Maria realizou a sua missão, chegou à meta e recebeu o prémio da vida eterna. Fiel a Deus na terra, vive agora com Deus no Céu! O Deus que a escolheu e a quem ela serviu é agora a sua herança eterna!

Hoje contemplamos a vitória de Maria, a vitória da “cheia de graça”, da humilde “serva do Senhor”. Olhamos também para o caminho da sua vida – um caminho cheio de provações e de dificuldades. Não há vitória sem luta e sem batalhas – as batalhas exigidas pela verdade e pelo amor. Mas a vitória só é possível com a constante ajuda de Deus.
Maria, não teve uma vida fácil. Maria sofre, quando tem de fugir para o Egipto, quando procura Jesus, quando ouve comentários pouco favoráveis a respeito dele (chegou a circular o boato de que Jesus estava fora de si). Sofre, mais ainda, na hora da sua paixão e morte.

No entanto, Maria não deixa de caminhar, não desiste da sua missão, não deixa de confiar em Deus. Mesmo na hora dramática do Calvário, Maria permanece lúcida e disponível para aceitar uma nova missão: ser mãe do discípulo João, ou melhor, de todos os homens. Mesmo quando chegou ao fim a missão de Jesus, Maria compreende e aceita que ainda tem um caminho a percorrer, porque Deus e a humanidade ainda precisam dela!

Maria percorre o seu caminho até ao fim, em total sintonia com Deus, como humilde e dócil serva do Senhor, meditando em seu coração as palavras e os acontecimentos da vida de Jesus, cumprindo, com simplicidade e dedicação, os seus deveres de esposa e mãe, e sempre atenta às necessidades do seu semelhante (como na visita a Isabel).

Porque aceitou que Deus realizasse nela e através dela as maravilhas do seu amor pelos homens; porque deixou que, nela e através dela, Deus mostrasse a sua misericórdia em favor da humanidade, Maria chegou à meta da vida e recebeu como prémio a glória do Céu. Agora, no Céu, vive em plenitude o amor de Deus e canta eternamente as misericórdias do Senhor! O Céu é viver plenamente em Deus, cantando eternamente as maravilhas do seu amor!

A meta dá sentido ao caminho e o prémio estimula e recompensa o esforço da caminhada! O caminho do homem, de todo o homem, é a missão que Deus lhe confia. Missão à qual o homem deve consagrar toda a sua vida, os seus talentos e as suas energias, permanecendo-lhe fiel até ao fim. A missão do homem, que se concretiza de muitos modos, consiste essencialmente, em deixar que Deus realize, na sua vida e através da sua vida, as maravilhas do seu amor. Trata-se de um caminho difícil para o homem, porque exige a superação continua do seu egoísmo e uma doação generosa e constante ao seu semelhante! Mas o caminho do amor é o único que realiza o homem e o conduz a verdadeira felicidade.

Maria, no mistério da sua assunção, mostra que é possível e vantajoso ser fiel até ao fim. Por um lado, Deus acompanha-nos sempre, ao longo da nossa vida, ajudando-nos a vencer os obstáculos e as dificuldades do caminho. Por outro, Deus reserva-nos a recompensa da vida eterna. Assim, a contemplação da vida gloriosa de Maria reforça a minha fé, aprofunda as minhas convicções existenciais e impele-me a uma vida cristã mais empenhada.

Eu sei que Deus existe e me tornou participante da sua vida. Eu tenho em mim algo de divino! Eu sei que Deus criou o Céu e nele reservou um lugar para mim. E o que Deus mais deseja é que, um dia e por toda a eternidade, eu possa ocupar esse lugar. E se eu não o ocupar, o que só poderá acontecer por culpa minha, esse lugar ficará vazio para sempre e o Céu como que ficará incompleto sem mim!

Quando liberto as amarras do meu pensamento e do meu coração e os deixo percorrer a imensidão do cosmos, contemplando a sua beleza, ou lhes permito que se fixem nas mais pequenas coisas que me rodeiam; quando deixo que se concentrem em mim, na minha vida e nos meus sonhos, ou então lhes dou tempo para “lerem” e meditarem a história da salvação – a história do amor de Deus – sinto Deus tão evidente e, por momentos, sinto-me elevado para as alturas!
Porém, o meu amor-próprio, que se manifesta de tantos modos e a todo o momento, ainda me mantém demasiado preso a esta terra e iludido com projectos demasiado terrenos. Consolam-me aqueles breves instantes em que pressinto e suspiro pelo dia em que também eu possa chegar ao Céu. Aí, junto de Maria e com Maria, usufruindo da visão plena de Deus, também eu sonho cantar eternamente as misericórdias infinitas do seu amor!

“Feliz aquela que acreditou” e permaneceu fiel até ao fim! Felizes serão “os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática”, garante Jesus. Sabemos que o Céu existe, conhecemos o caminho que nos leva até lá. Além disso, Deus concede-nos todos os meios necessários para o alcançarmos!

Pe. José Manuel Martins de Almeida

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