Para Deus não é impossível que uma mulher de idade avançada e estéril conceba
e tenha um filho. Isso acontece com Isabel, esposa de Zacarias e mãe de João Baptista.
Também não é impossível que uma mulher jovem e virgem, sem conhecer homem,
conceba um filho no seu seio e o dê à luz. Esse mistério realiza-se em Maria, mãe de
Jesus de Nazaré. “A Deus nada é impossível”. No entanto, para tornar possível o que é,
humanamente, impossível, Deus quer precisar da colaboração dos homens.

No início da história, logo após o pecado das origens, Deus promete e anuncia a
salvação futura da humanidade: o descendente de uma mulher vencerá o mal (Gen
3,15). Ao chegar a plenitude dos tempos, o tempo favorável da salvação, Deus cumpre a
sua promessa. Escolhe Maria entre todas as mulheres e prepara-a, enchendo-a de graça
no instante em que é concebida no seio materno. Depois, no momento oportuno, Deus,
através do Anjo Gabriel, comunica e propõe a Maria a missão que sonhou para ela.

Num primeiro momento, Maria fica perturbada com a aparição e a saudação do
Anjo. Trata-se de uma visita não anunciada e que Maria, de modo algum, podia prever.
Menos podia imaginar o conteúdo da mensagem divina que ele lhe transmite. Na
verdade, o Anjo anuncia-lhe que, por vontade de Deus, vai conceber um Filho a quem
deve dar o nome de Jesus. O nome, só por si, já revela algo de extraordinário, pois,
significa: “Deus salva”. Acrescenta que esse seu Filho será chamado Filho do
Altíssimo, ou seja, Filho de Deus. Diz-lhe ainda que nesse Filho se realizarão as
promessas feitas a David, dando início a um reinado que não terá fim.

Maria fica confusa. Não entende como é que tudo isso possa acontecer nela.
Antes de mais, não entende como é que pode ser mãe, uma vez que não conhece
homem, isto é, ainda não vive maritalmente com José, embora esteja desposada com
ele. Depois, ser mãe de um Filho que tem uma ligação tão estreita com Deus e que
exercerá uma missão tão extraordinária na história da humanidade. Maria não entende
e, antes de tomar uma decisão, sente-se no dever e no direito de questionar Deus,
interrogando o Anjo

Deus não se enfada nem se irrita com as perguntas dos homens que desejam
conhecê-lo e entender os seus desígnios. Ele não é um Deus que se imponha à força ou
exija uma obediência cega. Pelo contrário, sendo o Deus da verdade e do amor, revela-
se e dá razões para os homens acreditarem n’Ele e aceitarem a Sua vontade.
No caso de Maria, Deus, sempre pela mediação do Anjo, informa-a e explica-lhe
que tudo o que vai acontecer nela será obra do Espírito Santo. Além disso, o Anjo dá-
lhe um sinal: Isabel, uma mulher que não podia ter filhos e que Maria conhece bem,
está grávida de seis meses. Trata-se de algo que Maria poderá verificar pessoalmente,
visitando a sua parenta. Confirmando-se a gravidez de Isabel, sairá reforçada a
credibilidade do Anjo. Maria poderá acreditar em tudo o que ele lhe disse da parte de
Deus.

Chegada a este ponto, eliminadas as dúvidas e hesitações, devidamente
esclarecida e com total liberdade, Maria diz sim a Deus, aceita colaborar com Ele,
disponibiliza-se para que nela se faça a Sua vontade. O sim de Maria é a licença de que
Deus precisava para que o seu Filho assumisse a natureza humana, habitasse com os
homens e os salvasse. Este sim é decisivo para que a salvação de Deus irrompa na
história dos homens.

A Deus nada é impossível. Mas os homens podem condicionar e limitar o poder
de Deus. Quando se recusa a colaborar, deixando de fazer a sua parte, o homem como
que torna impossível o que é possível a Deus. O homem pode impedir Deus de fazer o
que Ele mais quer e só Ele pode fazer: salvá-lo. Esta “impotência” de Deus resulta do
facto de Ele respeitar sempre a liberdade do homem, mesmo se este O rejeita e despreza.
Maria disse sim a Deus e todos beneficiamos com isso. Graças ao seu sim, o
Filho de Deus veio até ao nosso mundo e tornou-se próximo de cada um de nós. Tendo
presente o exemplo de Maria, a serva de Deus que todas as gerações proclamam ditosa,
aceitemos que se cumpra em nós a sua vontade. Não esqueçamos: o nosso sim é uma
ajuda de que Deus realmente também precisa para fazer mais por nós e por aqueles que
nos rodeiam.

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