A festa do futebol

Graças ao capricho do sorteio da Taça de Portugal, as equipas com mais pergaminhos vão jogar com aquelas que têm menos atributos financeiros, visitando as localidades do Interior do País.

Assim aconteceu no domingo, dia 20 de Novembro, por parte do Vitória de Setúbal, que se deslocou à Cidade de Castelo Branco, jogando com o Benfica de Castelo Branco.

Já não era a primeira vez que as duas equipas se encontravam em jogos de futebol. No historial dos dois clubes, no Campeonato da II Divisão, em Setembro de 1990 realizaram o primeiro desafio futebolístico. De Setúbal vieram milhares de pessoas, cerca de seis mil, que encheram os passeios das ruas, largos e outros espaços albicastrenses de são e amistoso convívio entre visitantes e visitados.

Um vitoriano, residente em Castelo Branco, proporcionou um almoço com a gastronomia da Beira Baixa. No estádio o ambiente era tipicamente sadino, não faltaram adereços, bandeiras, músicas, ao ponto de se ouvir: “parece que estamos no Estádio do Bonfim”.

As duas equipas voltaram a encontrar-se no Vale do Romeiro (nome altamente significativo), em 1991, jogava no Vitória o já falecido goleador nigeriano Yekini, o nosso “Jaquim”. Novos encontros deram-se em 1992 e 2003. Em todos os jogos, verificou-se o maior espírito desportivo entre os adeptos das duas cidades.

A quinta visita desportiva do Vitória de Setúbal aconteceu no dia 20 de Novembro, numa tarde em que o futebol se jogou no horário do antigamente.

Com muita assistência, principalmente das margens do Sado, lia-se uma tarjeta alusiva aos 106 anos do Vitória de Setúbal, festejados nesse dia. Dos altifalantes do Estádio do Vale do Romeiro, saíram saudações para o aniversariante e a canção de parabéns. Louvável atitude, afinal no futebol ainda há bons exemplos. Recolhi alguns testemunhos dos adeptos:

José Manuel de Jesus Leirinha, sócio nº 359 do Benfica de Castelo Branco: “estes jogos entre o Vitória de Setúbal e o Benfica de Castelo Branco estão bem vivos ma minha memória, principalmente graças ao extraordinário Yekini. Recordo o nosso estádio cheio. Em termos futebolísticos, estes jogos sempre foram de grande festa entre setubalenses e albicastrenses. A maior assistência, desde que sou sócio, já com trinta anos de filiação, foi quando nos visitou o Vitória de Setúbal há uns anos.”

João Pereira, sócio nº 3279 Vitória de Setúbal: “vim com a minha esposa passar o fim-de-semana a Castelo Branco. Visitámos a cidade, com especial atenção ao Jardim do Paço. Admirámos esta maravilhosa cidade e saboreámos a gastronomia regional. Para fechar com chave de ouro, apesar da imensa chuva, assistimos ao jogo e o nosso Clube ganhou a eliminatória.”

Mário Salgado, sócio nº 746 do Vitória de Setúbal: “nunca falho um jogo da equipa do meu coração. Fomos felizes nos golos, num campo impróprio devido à chuva que caiu copiosamente durante todo o dia.”

Miguel Luís Mendes Baião, sócio nº 3029 do Vitória de Setúbal: “acompanho sempre o Vitória de Setúbal. Em Castelo Branco nunca mais esqueço o jogo de 1992 para o Campeonato. Este Povo é maravilhoso, acolhedor e amistoso. Aqui vem-se ao futebol e não há confusões. É muito bom. Quanto ao jogo não foi muito atrativo, com um terreno alagadiço.”

Num domingo chuvoso, no horário nobre, não aconteceu Taça, porque o David não venceu Golias. Não aconteceu futebol porque a chuva não deixou, mas aconteceu FESTA.

No Dia de Cristo Rei, Francisco Franco, do Segundo Ano da Catequese de Aldeia de Joanes, desenhou com brilhantismo as letras VITÓRIA DE SETÚBAL, REI em Castelo Branco. Viva o Vitória de Setúbal, mas sobretudo o desportivismo e o convívio. PARABÉNS!

António Alves Fernandes

Aldeia de Joanes

Novembro/2016

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