“Quando se diz que a Igreja tem de ser uma Família de Famílias, isto tem de se tomar mesmo a sério.”

Cardeal Patriarca de Lisboa

 

Há dias o Papa Francisco inaugurou a III Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos sobre os desafios pastorais da família no contexto da evangelização.

Na abertura dos trabalhos, o Papa Francisco pediu a todos os intervenientes, mais de uma centena de presidentes das conferências episcopais e de padres sinodais, mais de uma dezena de casais selecionados para o efeito e de diversos peritos, para que falassem uma linguagem de clareza e escutassem com humildade e acolhimento, de coração aberto.

Os temas são divididos em três partes. A primeira, análise em capítulos, sobre o modo de comunicar o Evangelho à Família de hoje, uma visão cristã das Famílias na Bíblia e nos documentos da Igreja.

A segunda parte, análise das questões Familiares de hoje e ver os desafios que se colocam à Pastoral da Igreja, que abrange três capítulos, com destaque para o último: abertura à vida e responsabilidade educativa da Família.

Na terceira e última parte, que talvez devesse estar em primeiro lugar de análise, discussão e resolução, sobre situações pastorais mais difíceis: uniões de fato, separados, divorciados, recasados, mães solteiras, casais homossexuais, contraceção, poligamia e questões que se anexam a esta problemática com acesso destes ou destas aos Sacramentos.

Todas as comunidades cristãs se pronunciaram sobre estas temáticas, cujas sínteses devem ser tomadas em conta e análise.

Todos pedem à Igreja que encontre uma saída para estas situações conjugais e humanas. É importante que a Igreja dê uma resposta, há demasiados sofrimentos e dilemas silenciados. Não faz sentido nos dias de hoje tanto tabu e mistificação.

Quem acompanha a vida do Papa verifica as suas grandes humanidades, um Homem de afetos, a sua proximidade com as gentes, pois vive e convive como Pastor de coração aberto.

Sabe-se que as opiniões sobre a união conjugal se dividem. Há quem olhe para o princípio da unicidade. Não aceitam aligeirar processos canónicos para a nulidade de anteriores casamentos e propõem recurso para tribunais eclesiásticos, aguardando dezenas e dezenas de anos à espera de decisões, algumas nunca chegam. Também se refugiam na tradição da Igreja e na palavra do Evangelho de S. Mateus: “o que Deus uniu, não separe o homem.” No entanto, se nos debruçarmos sobre a Igreja Primitiva, verificamos a prática da tolerância pastoral, a clemência e a penitência após um período de reflexão.

Sabe-se que para haver mudanças é necessário ter atitudes de coragem. Mudar é difícil.

No próximo ano, esperaremos com grande expetativa as conclusões deste Sínodo sobre a Pastoral Familiar.

Recordo as palavras finais do Papa, na abertura da III Assembleia Extraordinária: “podemos frustrar o sonho de Deus, se não nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo. O Espírito dá-nos a sabedoria que supera a ciência, para trabalharmos generosamente com verdadeira liberdade, humildade e criatividade.”

Esperamos que a Igreja seja “ uma Família das Famílias.” O tempo urge.

 

António Alves Fernandes

Aldeia de Joanes

Outubro/2014

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