ALDEIA DE JOANES – A DEFESA DO PATRIMÓNIO

Há mais de cinquenta anos, o povo genuíno de Aldeia de Joanes uniu-se em força, vontade e trabalho, a fim de construir uma casa digna para o seu Pároco. Falo da Casa Paroquial, junto à Igreja Matriz.

O tempo foi passando e a Casa necessita agora de obras urgentes. As primeiras já se concretizaram com o novo telhado. Agora é necessário uma pintura de exteriores e interiores, um novo chão, portas e janelas de substituição.

Actualmente, esse espaço é semanalmente destinado à Catequese (dez grupos), à realização de diversas reuniões inerente à vida da paróquia e à prática da Cáritas, e, ainda há pouco, aí estavam também os serviços do Cartório Paroquial e a Sede do Agrupamento 1335 do Corpo Nacional de Escutas.

Criada uma comissão paroquial Pró-Obras da Casa Paroquial, constituída por elementos da Fábrica da Igreja e por alguns paroquianos, procurou-se lançar uma campanha para recolher fundos e, assim, ajudar a custear as referidas obras.

A primeira iniciativa foi um almoço paroquial comunitário, que decorreu na Associação Desportiva Cultural e Recreativa de Aldeia de Joanes.

Sara Patrícia de Sousa Fernandes, jovem de Aldeia de Joanes, formada em design de comunicação, elaborou o cartaz do evento, onde se inscreviam as seguintes palavras: EU AJUDO/TU AJUDAS/NÓS AJUDAMOS – CAMPANHA “TU PODES AJUDAR” – ANGARIAÇÃO DE FUNDOS PARA AS OBRAS DE CONSERVAÇÃO DA CASA PROQUIAL”. Explicou que o seu objectivo foi “que todos abraçassem esta causa e conjugassem o verbo ajudar”.

Nada melhor do que ouvir as gentes de Aldeia de Joanes, de diversas idades e profissões, sobre o que pensam desta iniciativa:

Maria da Conceição Sampaio – Empregada de Jardim de Infância: “hoje em dia, em que nada se faz nesta nossa terra (já não há marchas, nem o ciclo do pão, nem as desfolhadas), fico satisfeita por se realizar este almoço para angariação de dinheiros para as obras da Casa Paroquial”.

Maria de Jesus Veríssimo – empregada nos tempos livres: “estas iniciativas devem ter continuidade e alargar as atividades – magustos, convívios – à Paróquia.”

Maria Manuel Marques Bernardo Fernandes– aposentada,“colaborar nesta iniciativa é muito importante, pois essa casa é uma espécie de filha do povo, por ele conseguida e por ele aproveitada.”

Agostinho Costa dos Santos, empresário de papelaria: “Junta-se o útil ao agradável: conviver e arranjar fundos para custear obras que pertencem a todos e das quais todos beneficiam.”

Margarida Bernardino Castanheira, estudante: “ ajudar as obras da Igreja é uma obrigação de todos nós, porque temos de restaurar e recuperar uma casa que pertence à Paróquia, onde todos os domingos temos Catequese.”

João Pedro Godinho Nogueira, estudante: “na minha opinião é uma maneira de angariar fundos. Também é uma oportunidade de fazer convívio na Paróquia. Estas estruturas são importantes, porque é nelas que se transmite aos jovens a formação da Fé.”

Maria de Fátima Xavier Jerónimo, agricultora e poeta: “não podem deixar cair o que ajudámos a construir. Faz parte da nossa cidadania. Andámos com a Campanha do Ovo e Cortejos até à sua construção, agora é hora da sua recuperação. Esta Aldeia tem de estar sempre unida por causas nobres.”

Guida/Rui, Professora e Empresário: “um evento com duas vertentes bem conseguidas: convívio dos paroquianos e recolha de fundos para uma casa de todos. Ainda há um bom espírito de solidariedade.”

Maria Conceição Lambelho, agricultora e empresária: “ a união faz a força. Foi uma boa iniciativa. Parabéns e continuem.”

Henriqueta e José Carvalho, empresários: “ felicitamos quem teve a ideia de reunir as gentes e partilhar as despesas. A iniciativa é para continuar, porque quando todos contribuem o difícil torna-se mais fácil.”

José Esteves Lopes, comerciante, “sou de Aldeia de Joanes, vivo e colaboro em todas as iniciativas deste género. Tudo o que seja a bem da comunidade conta com a minha presença. Nunca devemos permitir que Aldeia de Joanes perca a sua identidade. Já não há futebol, atletismo, teatro; não há rancho, festa do Mártir ou de Nossa do Amparo… Nós, os mais velhos, aproveitamos para relembrar essas realidades”.

Cláudia Batista, estudante: “é consolador ver nos dias de hoje o espírito de solidariedade e comunidade que está presente nos corações de todos, independentemente das idades”.

Rui Pelejão, jornalista: “é uma boa forma da comunidade se reunir por uma causa muito importante e são momentos como este que fortalecem o espírito de quem pertence a Aldeia de Joanes.”

Muitas outras opiniões foram recolhidas, todas com este espírito.

Em tempos de sangue, ódios, rancores e mortes, reuniu-se em Aldeia de Joanes a Paz, a Solidariedade, a Fraternidade e o Património de todos. Em tempos de vinganças em série e em rede, tomara o mundo sentar-se à mesa a conversar como Aldeia de Joanes fez neste dia. Agradeço a todas as pessoas que se empenharam e colaboraram nesta iniciativa, que fizeram de Aldeia de Joanes uma ponte entre Homens e Mulheres em torno de uma causa comum.     

Para o próximo ano, estão agendados mais dois encontros – um pelo Carnaval e outro pela Páscoa. Mãos à Obra e ao Amor.

António Alves Fernandes

Aldeia de Joanes

Novembro/2015

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