ALDEIA DE JOANES – OS POBRES VISTOS PELOS MAIS NOVOS

Numa das tardes mais quentes de Julho descemos à rua para ouvir as crianças de Aldeia de Joanes. Foram duas as questões colocadas: o que é um pobre? Se um pobre vos bater à porta, o que fazem?
Como as crianças não mentem, aí vão as respostas:

Núria Viveiros Mendes de cinco anos: “ um pobre é uma pessoa que não tem comida para dar aos seus filhos. Se visse um pobre pedia um bocadinho para lhe dar de comer.”
Carolina Castanheira de seis anos: “nunca pensei nisso, mas um pobre é aquele que tem roupas rotas. Se visse um pobre dava-lhe comida.”
Maria Inês de quatro anos: “ o pobre é um índio, porque não come e não anda vestido.”
Guilherme Patrício Calvário de seis anos: “ não tem dinheiro e dava-lhe de comer.”
Isac Salvado Pio de quatro anos: “ é uma pessoa muito triste, porque não tem dinheiro, nem comida. Dava-lhe comida.”
Afonso Mendes de cinco anos: “ um pobre não tem nada. Dava-lhe tudo aquilo que eu já não preciso. Se visse uma criança pobre dava-lhe os meus brinquedos, mas não todos, porque também preciso de brincar com alguns.”
Dinis Fonseca de quatro anos: “é uma pessoa sem dinheiro. Pedia à minha mãe para lhe dar dinheiro.”
Artur Alexandre Brito de três anos: “ é aquele rapaz que tem cabelos muito compridos e cinzentos. Estendia-lhe a mão e dava-lhe um passou-bem.”
Alice Tinalhas de cinco anos: “ é uma pessoa sem nada. Dava-lhe comida e roupas.”
Tomas Matias Fernandes de quatro anos: “ Não tem comida nem roupa. Pedia à minha mãe para lhe fazer uma sopa.”
Frederico Santos de três anos: “ é uma pessoa que não tem casa. Ajudava-o a ir para uma casa.”
Diogo Miguel Barroqueiro de cinco anos: “não tem nada. Pedia à minha mãe e ao meu pai para lhe dar umas moedas, para o pobre ficar contente e feliz.”
Rodrigo Marques de nove anos: “é uma pessoa que não tem dinheiro e que precisa de roupas. São muito magras e precisam de alimentação. Pedia aos meus pais para lhe darem uma ajuda.”
Hugo Oliveira de oito anos: “ é uma pessoa igual às outras, mas sem nada, sem dinheiro e sem roupas. Pedia para lhe darem dinheiro, roupa e alimentação.”
Letícia Dias de doze anos: “é uma pessoa com muitas dificuldades na vida, que não tem emprego, nem dinheiro. Se pudesse dava-lhe roupa, e se estivesse junto a um supermercado comprava-lhe algumas coisas para comer e dava-lhe algum dinheiro. Claro que contava com o apoio dos meus pais”.
Diogo Miguel Alves Monteiro dez anos: “ vive sozinho e sem nada. Pedia aos meus pais para lhe dar comer e algum dinheiro.”
Rita Margarida de sete anos: “um pobre é alguém que não tem brinquedos. Dava-lhe muitas coisas, brinquedos, comida, roupas.”
Dinis João Rolão de seis anos: “não sei o que é um pobre.”
Ana Margarida de onze anos: “não tem condições para viver. Ajudava-o com comida.”
Leonor Barroso de sete anos: “não tem quase nada. Se encontrasse um pobre no caminho da escola, dava-lhe parte da minha merenda que tenho na mochila.”
Joana Agostinho de nove anos: “não tem nada. Pedia aos meus pais para lhe comprarem roupa e alimentos.”
Rodrigo Fiães de seis anos: “não tem roupas nem sapatos. Emprestava-lhe os meus brinquedos e dava-lhe coisa que não precisava.”
Ariana Tinalhas de dez anos: “pessoa sem-abrigo com muitas necessidades. Para ajudá-lo tinha primeiro de o estudar e de ver bem se tinha possibilidades de o ajudar.”

Para terminar, convoco os versos do poeta Mário Salgueirinho: “ Ama a Criança/Pobre ou rica, negra ou branca/Porque em cada uma, feia ou bela/Renasce miraculosamente a esperança…”

António Alves Fernandes
Aldeia de Joanes
Julho/2016

priest

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