in: Voz da Fé / 18-06-2009 / pg. 4

Especial Ordenações

Um sentir profundo da bondade de Deus:

“Alegrai-vos sempre no Senhor” por Rui Calçada

Falar de vocação sacerdotal é raro nos dias de hoje e no mundo em que vivemos. Contudo, na nossa Diocese, felizmente, há já alguns anos que não interrompemos a ordenação de presbíteros. A Voz da Fé foi ter com um dos colegas que vai receber a ordenação presbiteral no próximo dia 28. O ainda diácono Hugo Alexandre Pichel Martins é um jovem comum, de 26 anos de idade, com uma paixão pela natureza, pelas actividades ao ar livre, desportos, novos meios de comunicação «on-line», voluntariado, e o convívio com amigos. Natural de Celorico da Beira, concretamente da paróquia de Santa Maria, onde recebeu o baptismo, actualmente, pertence a São Pedro. Estudou, como tantos outros jovens, nas escolas de Celorico, até ao 12º ano. Pelo caminho ficam diversas actividades como o clube de jornalismo, de informática, delegado de turma, e representante dos alunos no conselho pedagógico. Ligado às paróquias, integrou o grupo de jovens “Trovadores de Deus”, o grupo de acólitos, o dos catequistas (depois do percurso da catequese de iniciação), e, uma grande costela do Hugo, o agrupamento  do CNE, em que fez promessa de escuteiro.

É com um sorriso e com uma “canhota” que somos recebidos. Todas as actividades que foram destacadas contribuíram, a seu modo, para a personalidade do Hugo. Quando interpelado sobre o despertar da sua vocação, conta-nos que foi o pároco, o Pe. José Martins de Almeida, que o interpelou directamente. «Terminado o 12º ano, como qualquer jovem coloquei a questão: qual a minha vocação? Esta interpelação, também foi feita de forma directa, pelo meu Pároco. “Hugo queres ir para o Seminário?” Eu na altura disse-lhe: “aguarde uns dias e reze, que eu logo lhe dou uma resposta!”. […] Vejo nele [no Pároco] um exemplo: a exigência de vida, a oração, a alegria com que vive e transmite a fé, as suas capacidades humanas, a sua proximidade, fizeram com que a minha resposta seja, hoje, sim.» O percurso de seminário que se seguiu não foi extraordinário. Frequentou o ano propedêutico do Seminário da Guarda, e, logo o curso de Teologia, que frequentou no Instituto Superior de Teologia, passando pelas três casas que, por então, o formavam: Guarda, Lamego e Viseu. É o próprio Hugo que se refere ao seu percurso de seminário como um «percurso e caminho feito de forma gradual».

A família, os pais e os seus irmãos, Tiago e Ana, perante a escolha de vida que o Hugo fez, em resposta ao chamamento de Deus, apoiam-no: «O nosso coração está cheio de alegria por o Hugo ter sido escolhido, por Deus, para O servir. Neste momento estamos felizes, mas conscientes da responsabilidade que terá a seu cargo». Também eles contribuíram, e muito, para que o Hugo pudesse agora dar este passo. «Como família temos vindo a acompanhar o Hugo, mas todos os que com ele se cruzaram também contribuíram para esta caminhada rumo ao sacerdócio», refere o pai, o sr. Belmiro. Já a mãe, a D. Isabel, destaca a sua entrada no Seminário da Guarda, «apercebemo-nos que também as nossas vidas iriam mudar. A partir daqui fomos tomando consciência ….». As saudades marcaram uma certa separação, que foi necessária. «Em certas datas especiais a saudade apertava, mas a tranquilidade dele e o apoio de quem nos rodeia, deram-nos força para ultrapassar tudo!». Nesta altura são unânimes no desejo que formulam: «Que podemos nós pedir a Deus senão que o ajude a ultrapassar todas as dificuldades pela vida fora?». A alegria que sentem é, como pudemos depreender, uma alegria que ultrapassa e transcende os sentimentos de quem acolhe, em família, o chamamento de Deus. Durante o tempo de seminário, o Hugo continua ainda a destacar alguns momentos importantes, que complementaram o seu percurso vocacional: a sua presença frequente no serviço de voluntariado do Santuário de Fátima e o seu contínuo empenho em actividades do CNE – Corpo Nacional de Escutas.

Alegria foi o denominador comum, que encontrámos, por onde passámos. Talvez isso diga bem do lema da ordenação sacerdotal que o Hugo escolheu. “Alegrai-vos sempre no Senhor” (Fl 4, 4). Sobre o futuro, que a Deus pertence, vale a pena ler, em discurso directo, o próprio: «Como sacerdote, quero estar atento aos sinais do mundo; escutar muitos e muito; ter a capacidade de acolher! Sendo homem de proximidade com Deus, e os homens, com muita oração, espero ter um rosto de um Cristo, que é Amor e Alegria. Finalmente, ser sempre instrumento da salvação para todos e em especial para aqueles que de nós mais precisam.»

Certamente não é uma tarefa fácil aquela a que o Senhor o chama. Mas o seu sorriso mostra-nos que vale a pena continuar a palmilhar esta estrada, e alegrar-se sempre no Senhor. O Hugo vai precisar, antes de mais, da nossa oração, e depois também do nosso apoio de irmãos. Parabéns pelo passo e pela coragem da decisão.

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