ALPEDRINHA – ALELEUIA!ALELUIA! GLÓRIA AO SENHOR, O CARDEAL ESTÁ EM LIBERDADE!

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Nasceu em Alpedrinha, em 1406, uma das figuras nacionais mais importantes, a nível religioso e político. Durante os seus 102 anos de vida terrena, desempenhou mais de duzentos cargos em Portugal e em Roma, percorreu o reinado de cinco Reis e de cinco Papas. Colaborador, com a Rainha D. Leonor, na fundação das Misericórdias Portuguesas e conselheiro de D. João II, no nono conclave renunciou à eleição de Papa, a favor de Júlio II, que lhe disse: ”sou Papa no nome, mas vós sois na realidade.”

Em 1508 morreu em Roma e na comemoração dos quinhentos anos da sua partida para o eterno, lembraram-se de encomendar a um escultor de Salamanca, uma estátua em bronze na vila de Alpedrinha. Durante tantos séculos, ninguém se lembrou desta iniciativa. Nesta Freguesia, do concelho do Fundão, já tinha um café, uma rua e possivelmente uma taberna (no passado havia aqui dezenas) com o seu nome.

Chegou, pois, a Alpedrinha uma estátua de D. Jorge da Costa, mundialmente conhecido como Cardeal de Alpedrinha.

Reunidas as autoridades civis, politicas e religiosas, em sessão democrática, para deliberar o local que albergaria a referida estátua, foi escolhida a Igreja da Misericórdia, que ajudou a fundar. Já estavam encerrados os trabalhos, quando alguém levantou a questão de que ficaria bem no altar. Depressa veio a resposta eclesiástica: nunca poderia ficar no altar, nem próximo, pois não tinha a auréola de santo. Em tantos anos, cinco centenas, não se lhe conheceu um milagre, ou facto de santidade que se aproxime, nem se conhecem aqueles que recorreram às suas “graças”. Seria um intruso junto dos outros santinhos da Igreja da Misericórdia.

Foi, então, para um local muito recatado, meio escondido, atrás de uma porta, com uma grande cortina em frente. Assim não havia perigo de provocar ciúmes aos outros santos, e se algum ladrão tentasse arrombar a referida porta, tinha de passar por cima do seu “corpo”, sujeito a levar com o báculo.

Conselheiro de Reis e Papas, estava agora como porteiro de uma porta lateral, (não se lembraram de o colocar na porta principal) que dá acesso à Misericórdia, acolhendo muitos “cristos” vivos, pobres, sofredores, doentes, muitas vezes angustiados, alguns sem visitas de familiares e amigos. Sempre lhes transmitia e dava apoio na linha do pensamento e na ação do Papa Francisco.

Tinha na frontaria da sua Igreja da Misericórdia a Imagem Nossa Senhora do Socorro, esculpida por um artífice espanhol, mas nem esse socorro o resgatou das sombras.

O seu cativeiro duraria oito anos, de isolamento e sacrifício, sem contatar alguém. Durante este tempo, ouvia diariamente a recitação do rosário, o ruído do trânsito da estrada nacional, os cortejos fúnebres, cujos acompanhantes ultrapassavam o barulho do mercado do Fundão, e pouco mais pode fazer uma estátua encostada a um canto.

Finalmente, no dia 3 de Julho de 2015, saiu para a rua e foi colocado num pedestal em frente à Santa Casa Misericórdia de Alpedrinha. Para gozar de inteira liberdade, ainda teve que suportar, com uma frágil cobertura de plástico e pano vermelho, dois dias de imenso calor, até à tarde do dia cinco ficar completamente livre e à fresca.

Encontra-se hoje junto a um Cristo Crucificado, num cruzeiro de granito, sob olhar atento de Nossa Senhora do Socorro, que está colocada na fronteira da Igreja da Misericórdia, aguardando que os visitantes das varandas da Serra da Gardunha lhe façam uma visita.

Durante a cerimónia de “trasladação”, que contou com a bênção do Bispo da Diocese, do Município do Fundão e muitos Alpetrinienses, a estátua do Cardeal de Alpedrinha foi parca em palavras: “Nunca mais me coloquem atrás da porta.”

António Alves Fernandes

Aldeia de Joanes

Julho/2015

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