ANIMAIS…RESTAURAÇÃO

Todos já vimos sapos (animais que o meu Pai, protegia freneticamente), à entrada de cafés e restaurantes, de diversos tamanhos e materiais, para impedir psicologicamente a entrada de ciganos, e gentes da sua etnia. Não serão essas atitudes de exclusão social? Muitos deviam ter visto o filme Balada de um Batráquio, de Leonor Teles, onde realça um herói a partir todos os sapos que encontrava nos espaços de restauração, com repulsa a tal estranha atitude e gesto.

Segundo legislação aprovada na Assembleia da República, (Portugal é dos países que mais leis aprova, para muitas não passarem do papel), a autorizar a entrar animais de estimação nos restaurantes e casas de pasto. Vai ser o fim da macacada…

Se três senhoras entrarem com os respetivos cães, e estes observarem uma cadela com cio, como o dono do restaurante irá resolver o problema e por que ordem, com o cão da dona mais velha, mais nova…Irá ter na sua casa um local próprio para as suas intimidades? E se os canídeos tiverem necessidades fisiológicas onde terão o seu local próprio, antes que levantem a perna e despejem para cima e despejem a urina para cima de um cliente, a ali ao lado? E se soltarem uma pulga, uma carraça para a mesa vizinha? Sabemos que alguns estão mais limpos de corpo e alma, que os seus donos e clientes, situações podem aparecer. Vão transformar espaços gastronómicos em pequenos jardins zoológicos?

Se o dono de um burro de estimação, como vai ser? E, se ele estiver com o instrumento levantado, perante um estímulo sexual, vai-se chamar o veterinário para lhe dar um medicamento de efeito rápido, para evitar uma desgraça?

E se um casal levar uns ratinhos brancos de estimação e estes levantarem o ofício e as orelhas, ficarem estupefactos, com tantos ratos, ratas e ratazanas à sua volta. Em restauração de cinco estrelas, então são incontáveis.

Se um gato de estimação entrar com os seus donos e vir tantos inimigos, quem poderá por tamanha guerra que se vai instalar, possivelmente uma carnificina?

Se uma cadelinhas vestidas com lingerie provocadora e se um cliente tem azar de as sujar, como vai reagir a dona?

Se uma rola, ou um pombo com cio, de estimação entrar e começarem a sujar a mesa e a começar a cantar corrup…corrup….corrup…, quem os vai mandar calar e levantar um corpo de delito?

Se um papagaio de estimação entrar nos locais de restauração e começar a ofender os clientes com palavras e frases impróprias para consumo, quem lhe vai calar o bico retorcido?

O meu Pai tinha uma vaca de estimação, tão mansinha, tão mansinha, que eu, meus irmãos Manuel e Francisco, trepávamos-lhe para o lombo e levava-nos do lameiro para casa. Se nós a quiséssemos levar a um restaurante almoçar na nossa companhia, como seria?

Se um proprietário de um pomar de cerejeiras de Vinhó (Gouveia) ou de Alcongosta (Fundão) vir entrar melros de estimação, aves que perseguiram por causa de uma cereja, como será?

Com toda a bichara de estimação a comer em restaurantes, estes negócios crescem como nunca se registou, com a oportunidade de muitos aproveitaram a fuga ao fisco.

A Ordem dos Veterinários está a preparar um regulamento para que seja exigida a permanência de médicos-veterinários em todos os espaços gastronómicos, para examinar os animais, os seus donos, a limpeza dos locais, a bem da saúde pública.

Com a colocação de tantos veterinários, a Faculdade de Veterinária, vai ter filas de candidatos para essa Licenciatura séria. Não vai haver desemprego.

Quem está desanimado, já não vendem rações, com vontade de pedir uma audiência ao Governo, por causa de tantos prejuízos, que as medidas decretadas de os animais de estimação, comerem em restaurantes.

Com tanta bicharada de estimação a entrar nas geografias dos comes e bebes, nem a Arca de Noé, os salvará.

Vai ser o fim do mundo… com tantos animais de estimação.

António Alves Fernandes

Aldeia de Joanes

Março/2018

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