BARCO – XI ENCONTRO DA FAMÍLIA BENFIQUISTA

Em 2003, por iniciativa de Vítor Fernandes Casaca, Luís Samarra e Eliana Moutinho, realizou-se na Instituição de Solidariedade Social – ARPAZ-, o primeiro convívio benfiquista na Freguesia do Barco do Concelho da Covilhã. Ficou decidido que a data deste evento seria em finais de Julho, todos os Verões. Assim tem acontecido com um pequeno interregno. Este ano aconteceu no primeiro sábado de Agosto, para corresponder a muitos pedidos, solicitações de emigrantes a trabalhar em França, Suíça, Alemanha e outras diásporas.

É importante, tem interesse histórico, saber do muito interesse que esta gente do Barco tem pelo desporto, principalmente pelo futebol, com grande apetência para a cor vermelha. Nos anos cinquenta, veio da Zona da Covilhã para esta Paróquia do Barco, um jovem sacerdote, acabado de ser ordenado, com vontade de trabalhar na pastoral, dinâmico e que gostava de futebol. Chamava-se Manuel Duarte Cândido Curto. Era Curto no nome, mas com uma enorme longevidade nas ações pastorais, que o Povo do Barco ainda hoje reconhece. Há fundamentalmente duas que estão na memória de todos: o Agrupamento nº 31 do CNE, um dos agrupamentos escutistas mais antigos no país e a abertura dos alicerces do futuro clube local de futebol. Ainda não se sonhava com essa ideia, já o Padre Curto, com a sotaina, era treinador, orientador técnico, conselheiro na formação de muitos jovens futebolistas da sua Paróquia. Conseguiu criar uma dinâmica e interesse pelo desporto rei, aos domingos à tarde todo o povo se juntava para se divertir com os jogos.

Assim nasceu o Sport Clube do Barco, que apesar da realização de muitos jogos não oficiais, só começou a concorrer com outros clubes em 1976, quando se inscreveu e filiou na Associação de Futebol de Castelo Branco. Começou a participar em provas desportivas oficiais, principalmente a nível das camadas jovens (a sua grande aposta) e nos campeonatos distritais, chegando ao campeonato da terceira divisão. É importante referir que a equipa chegou a ter, nas suas fileiras, onze elementos com laços familiares entre eles. Era a chamada equipa da Família dos Britos. Aqui se formou e jogou esse grande jogador do Benfica e da Seleção Nacional – o César Brito-, que poderia ter sido acompanhado por muitos outros companheiros se tivessem tido oportunidades.

O Clube do Barco, sem meios económicos, do interior, ainda conseguiu ir muito longe nos seus campeonatos, inclusive eliminou da Taça de Portugal o Nacional da Madeira, equipa da Primeira Divisão Nacional.

César Brito, estrela desportiva e a jogar no Benfica, motivava para que a chama e paixão pelo Benfica crescesse nas gentes da sua terra natal.

Como em anos anteriores, este ano decorreu o XI Encontro Benfiquista, num espaço de Lazer, com Piscina, Pavilhão Desportivo, Sala de Convívio com o nome de Jerónimo Barata, em homenagem a ex-autarca, que durante vinte e quatro anos foi Presidente da Junta de Freguesia, um cidadão de corpo inteiro, dedicado, trabalhador, próximo e interessado pelo bem-estar dos seus conterrâneos.

Os grandes obreiros deste ano constituíram uma grande equipa: João Manuel Serra, Jerónimo Carvalho Barata, Joaquim Carvalho, José Manuel Barata, David Rosa, Sezinando Marques, acompanhados por uma útil retaguarda – as suas esposas.

Não faltaram ex-desportistas, lá esteve presente César Brito e dezenas de emigrantes. Ali se dão abraços, partilham-se afetos, contam-se histórias de futebol, recordam-se os que formaram estes homens e mulheres, com destaque para o Padre Manuel Curto, com a paroquialidade de dezenas de anos no Barco.

José Joaquim Brito, com uma carreira brilhante no futebol, não teve a sorte de ter ido para um clube da primeira divisão. Emigrado na Suíça, fez questão de marcar férias para estar presente: “ Aqui toda a gente se abraça, conversa, se estima e se recorda.”

Durante doze horas reviveram-se histórias coletivas e pessoais. Já a noite chegava a um novo dia, já o som o Hino do Benfica, cantado por essa voz inconfundível de Luís Piçarra se espalhava pelas moradias e mata circundante, quando se deram os últimos abraços antes do regresso a casa.

Este ano foram duzentas presenças, no próximo ano serão muitas mais na Festa Benfiquista no Barco. Até ao próximo ano!

António Alves Fernandes

Aldeia de Joanes

Agosto/2015

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