Vaticano: Bento XVI preocupado com «falta de estima» pela Confissão

Audiência do Papa foi dedicada ao patrono dos moralistas, Santo Afonso Maria de Ligório
Cidade do Vaticano, 30 Mar (Ecclesia) – Bento XVI manifestou hoje a sua “preocupação” com a “falta de estima” pela Confissão, nome que designa o sacramento da Penitência ou Reconciliação, numa época marcada por “sinais claros” de desvanecimento da “consciência moral”.
A alusão ao sacramento durante a catequese dedicada a Afonso Maria de Ligório (1696-1787) foi feita no período mais marcadamente penitencial da Igreja católica, a Quaresma, que decorre até à Páscoa.
O santo italiano, cujos ensinamentos são “ainda de grande actualidade”, propôs “um rico ensinamento de teologia moral”, tendo sido proclamado patrono de todos os confessores e moralistas.
“Ao seu tempo tinha-se difundido uma interpretação muito rigorista da vida moral”, que “em vez de alimentar a confiança e a esperança na misericórdia” divina, “fomentava o medo e apresentava um rosto de Deus fechado e severo”, recordou Bento XVI.
Depois de salientar que Afonso de Ligório se distinguiu pela importância conferida “aos afectos e aos sentimentos do coração”, o Papa lembrou que o “insigne teólogo” insistiu na convicção de que “a santidade é acessível” a todos os cristãos.
Antes de se tornar padre e “mestre de vida espiritual para todos, sobretudo para as pessoas simples”, Afonso de Ligório obteve, com “apenas” 16 anos, o grau académico em direito civil e canónico.
Após tornar-se “o mais brilhante” advogado da comarca de Nápoles, onde durante oito anos ganhou “todas as causas” que defendeu, decidiu abandonar a profissão – e também “a riqueza e o sucesso” – para ser ordenado sacerdote, apesar da oposição do pai.
Nas acções de evangelização entre “os estratos mais humildes” da sociedade napolitana, Afonso conseguiu que “nos bairros mais pobres da cidade” se multiplicassem grupos de pessoas que rezavam e meditavam na Bíblia.
“Roubos, duelos, prostituição acabaram quase por desaparecer”, assinalou Bento XVI, para quem a acção do fundador da congregação do Santíssimo Redentor (Redentoristas) é inspiradora de uma “nova evangelização”, particularmente dos mais pobres.
A intervenção do Papa realçou que o anúncio da mensagem cristã e a construção de “uma convivência humana mais justa, fraterna e solidária” envolve padres, a quem é confiado o “ministério espiritual”, e “leigos bem formados” que possam ser “animadores cristãos eficazes”.
A “bondade” e o “zelo pastoral” de Afonso de Ligório, declarado santo em 1839, estiveram na base da sua nomeação para bispo de Sant’Agata dei Goti, enquanto que as suas obras, lidas e traduzidas em vários idiomas, contribuíram para modelar “a espiritualidade popular dos últimos dois séculos”.
O “Doutor da Igreja” estava convencido de que a meditação sobre o chamamento a “participar para sempre na beatitude de Deus, como na trágica possibilidade da condenação”, estimula uma existência vivida “com serenidade e empenho” e contribui para encarar a morte com “plena confiança na bondade” divina, sublinhou Bento XVI.
Dirigindo-se aos “amados peregrinos de língua portuguesa”, e em especial aos “queridos fiéis da paróquia de Santa Maria do Barreiro, na diocese de Setúbal”, o Papa desejou um “frutuoso empenho na caminhada quaresmal”.

In: http://www.agencia.ecclesia.pt/

Cruz Roxa

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