Quando morre um amigo é parte do mundo que nos é retirada.

Quis Deus que o meu amigo Padre Manuel Joaquim partisse no dia 29 de Maio, dia da Ascensão de Jesus aos Céus, porventura um sinal de que a sua morte é apenas um estado temporário para a eterna Ressurreição.

O meu amigo Padre Manuel Joaquim Martins desceu à sua terra-mãe, acompanhado por muitas centenas de paroquianos, das diversas Paróquias e Bismulenses, seus conterrâneos.

A Eucaristia de Exéquias celebrou-se na Igreja Paroquial, dedicada a Nossa Senhora do Rosário, e foi presidida pelo Bispo da Diocese, contando com quarenta sacerdotes e três diáconos.

O Bispo da Diocese, na homilia, teve o cuidado de saudar e apresentar condolências aos familiares, e acompanhá-los nas horas difíceis, que se seguem à morte de um parente.

Salientou, depois, a missão sacerdotal do Padre Manuel Joaquim Martins, com mais de cinco décadas em diversas paróquias, iniciada na Sé da Guarda e passando pelos Arciprestados de Trancoso e Fundão.

“A hora é de luto e dor, mas temos de celebrar a vida. Há que fazer profissão de fé num mundo novo. Há que aproveitar estas horas de saudade para a renovação da esperança na vida. A nossa vida é como o grão de trigo, como descreve o Evangelho de S. João, que lançado à terra, morre para dar nova vida.”

Virado para a ação do Padre Manuel Joaquim Martins, referiu que só deixara de paroquiar há cerca de dois anos e por motivos de saúde, reforçando a sua entrega, sem reservas, à causa do Evangelho de Jesus Cristo.

Destacou na vida sacerdotal dois aspetos importantes. O primeiro, a sua dedicação à causa dos jovens, visível no acompanhamento dos convívios fraternos, no dirigismo escutista e no desporto. A alegria era contagiante nestes eventos juvenis. O segundo aspeto é a sua postura para com os seus colegas sacerdotes, privilegiando o contacto humano e o diálogo. Era um apaixonado pelo presbitério. Achava que não devia haver padres a viver num individualismo egoísta, mas sim focados no bem colectivo e comum. Era também um homem de vivências comunitárias, numa relação de compreensão para com todas as pessoas.

No final da Eucaristia, um Bismulense, leu uma dedicatória em jeito de despedida, traduzindo em boa parte a opinião da maioria dos presentes, que retribuiu a leitura com uma grande salva de palmas.

As palavras foram de gratidão, um obrigado sincero, convicto e firme ao Padre Manuel Joaquim Martins. Pelos conselhos que deu a tantos jovens. Pela sua simplicidade, bondade e amabilidade. Pela disponibilidade para estar e ser com os outros. Por estar sempre próximo do povo, das suas comunidades paroquiais, participando nas suas tristezas e alegrias. Pela sua espiritualidade inabalável. Pela presença assídua nos atos inseridos na sua missão sacerdotal. Pelo apoio incondicional aos jovens. Por ser um padre vertical, integro, ativo, simples, evangelizador, qualidades exemplares. Por ser um padre modesto, que necessitou do apoio dos seus pais na compra dos seus primeiros carros: um Citroen e mais tarde um Datsun.

O Padre Manuel Joaquim Martins é oriundo de uma escola pastoral e litúrgica, que teve no Padre Ezequiel Augusto Marcos o seu grande Mestre (na Bismula dinamizou o desporto entre os jovens, os jogos tradicionais entre todas as idades, o teatro, os convívios colectivos e as cerimónias religiosas mais importantes, onde participava toda a comunidade, sem excepções). Esta foi a fonte de onde o Padre Manuel Joaquim Martins bebeu a força dinâmica que colocou ao serviço do próximo, nas comunidades pastorais que lhe foram confiadas.

No rio, ora pacífico ora agitado, da nossa vida, muitos beneficiámos da sua corrente ou afluente de apoio. À medida que o rio corre para o mar, recordar com saudade este Homem é também recordar o carácter insubstituível de cada um de nós. 

Bem-haja por tudo, Padre Manuel Joaquim Martins, meu amigo e conterrâneo. Descansa em Paz!

 

António Alves Fernandes

Aldeia de Joanes

Maio/2014

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