Bodas de ouro sacerdotais: padre Manuel Igreja Dinis

Cruzámos a nossa juventude estudantil, e lembro o Manuel Igreja Dinis como um estudioso dos mais variados filósofos: Kant, Platão, Santo Agostinho, Aristóteles, Sócrates, Nietzsche, Descartes… e acima de tudo da Bíblia Sagrada.

Graças à dinâmica do saudoso Padre Ezequiel Augusto Marcos, Pároco da Bismula (Sabugal), passámos Férias de Verão juntos nas margens do Rio Coa, arredores de Badamalos. As praias ficavam muito longe, eram umas miragens, e os nossos pais não tinham disponibilidades económicas para essas “extravagâncias”. Ali se concentravam estudantes da Bismula, de Badamalos, do Rochoso, da Malhada Sorda, da Miuzela e outras freguesias. Do Rochoso, estava presente Manuel Igreja Dinis. Durante uma semana, numa “ praia fluvial” praticava-se desporto, natação, futebol, pesca e outras atividades desportivas, horas de reflexão e meditação, de música, além de colocarmos à prova os conhecimentos de culinária.

Há dias, o Povo de Vilar Formoso, prestou justa e póstuma homenagem ao Padre Ezequiel Augusto Marcos, com a inauguração de um monumento, prova do reconhecimento pelo trabalho e missão de Pároco, com as dinâmicas humanas, sociais, educacionais, culturais e desportivas.

Seguimos os nossos diversos destinos e volvidas algumas dezenas de anos voltámos a cruzar-nos, a reencontrarmo-nos em Alpedrinha e Fundão.

Passaram-se muitos anos. No seu percurso, foi ordenado sacerdote em Gouveia no dia 1 de Agosto de 1965, sendo-lhe atribuídas as paróquias de Azinhal, Valverde e Peva do Concelho de Almeida, onde durante quatro anos exerceu o múnus pastoral. Seguiu-se Vila Fernando, Adão e Vila Garcia, do concelho da Guarda, onde durante dezoito anos cuidou das almas dos seus paroquianos.

Recebeu ordens do seu Bispo Egitaniense e interrompeu esta missão para se dedicar a outras mais importantes: professor, perfeito e diretor espiritual dos alunos do Seminário do Fundão, durante seis anos, interrompeu em 1994 para se dedicar às paróquias da Vila de Alpedrinha, Orca e Zebras. Em 2007, teve como destinos espirituais o Sabugal, a Aldeia de Santo António, Sortelha e Águas Belas.

A nossa proximidade reabriu-se quando esteve treze anos em Alpedrinha, razão porque fomos ouvir alguns paroquianos da Sintra da Beira Baixa.

Joaquim António Raimundo, “ tenho a melhor das impressões do padre Manuel Igreja. Uma pessoa prestável, simpática, organizou umas viagens de caráter cultural e religioso, visitando Lourdes, Toledo, Madrid, Salamanca, Ávila e outras terras. Lidava com todas as pessoas, não fazia distinção. Era um bom camarada. Igual, só o Padre Paulo Figueiró, que infelizmente esteve pouco tempo entre nós e foi estudar para Roma.”

Firmino Figueira, “conversei muitas vezes com ele. Era uma pessoa muito popular, e olhando para os tempos presentes, tinha uma certa compreensão para com a juventude. Não tinha preconceitos, falava com qualquer pessoa. Fui membro da Junta de Freguesia de Alpedrinha e o Padre Manuel tinha muitos contatos com a autarquia, e aparecia sempre nos eventos e comemorações. O Povo de Alpedrinha sentiu a sua partida para o Sabugal…”

José Ferreira Rodrigues e Maria Helena Cruz, retiro do seu manuscrito o seguinte, “ foi uma graça tê-lo na nossa paróquia durante treze anos…onde veio ao de cima a sua vasta cultura, o seu muito saber, mas também pelo carinho, pela humildade, paciência, compreensão como sempre fomos acolhidos. Sempre soube impor na Igreja disciplina e respeito, a continuação de todas as tradições religiosas, até com mais brilho e relevo. A disponibilidade que tinha para com os paroquianos. A sua fidelidade ao serviço de Deus e da Igreja, o seu zelo, competência e dedicação às Paroquias que serviu… O seu exemplo, as suas homilias, as suas palavras e atitudes, a sua personalidade de Homem de Deus e de sacerdote, cativou-nos para sempre.”

Pilar da Conceição Neto Brás Ribeiro, “era uma pessoa extraordinária, um excelente sacerdote. Atendia com muito carinho e atenção os idosos do Lar de Alpedrinha e nunca recebeu qualquer avença, trabalhava desinteressadamente.

Cinquenta anos a servir o Povo de Deus em várias geografias diocesanas – não se esquece a extensiva missão paroquial, professor, as visitas aos idosos do Lar, com o lema evangélico de Mateus, Cap. 10 Vers.7-15, “recebeste de graça; dai de graça…” as lições bíblicas semanais no Amigo da Verdade, na rubrica “ O Cantinho da Bíblia”, os seus poemas com o pseudónimo de “Dimo”, entre tantas outas atividades pastorais e evangelizadoras.

 Parabéns, por uma longa Vida Consagrada, que assenta “ em fazer memória agradecida do passado, viver o presente com paixão e abraçar o futuro com esperança.”

António Alves Fernandes

Aldeia de Joanes

Julho/2015

 

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