Caso do Padre Luís Mendes Comunicado

Prometi, há um ano, no Natal de 2012, que falaria sobre a acusação feita ao Rev.do Padre Luís Miguel Campos Mendes logo que o tribunal chegasse a conclusões.

Enquanto se aguarda a conclusão final, desejo lembrar que também os tribunais da Igreja estão empenhados em fazer justiça. E esse empenho já me obrigou a fazer duas deslocações a Roma para contactos com a Congregação da Doutrina da Fé, dicastério onde está sediado o tribunal que, por superior determinação da Santa Sé, julga estes casos. Portanto, a mesma colaboração que, desde a primeira hora garantimos aos tribunais civis e lhes continuaremos a garantir até ao fim estamos a dá-la também ao tribunal eclesiástico competente para se pronunciar sobre esta matéria.

Desejo hoje sobretudo aproveitar a oportunidade para dizer que, em todo este processo, a Diocese da Guarda cumpriu o dever de cuidar simultaneamente tanto dos adolescentes que se consideram vítimas como do acusado. De facto, tanto aqueles como este, perante tudo o que se disse, quer durante a organização do processo que levou a formular a acusação, quer durante o julgamento até à leitura pública do acórdão, viveram situações muitos difíceis, que a Diocese da Guarda procurou acompanhar da melhor maneira.

Assim, eu próprio reuni com os pais dos alunos que frequentavam o Seminário do Fundão pouco mais de 24 horas depois de ter tido conhecimento do que se passava. Nesse encontro estiveram todos menos um, que justificou a ausência. Todos os 5 alunos que se apresentam como vítimas continuaram no Seminário durante todo o ano lectivo, sendo acompanhados muito de perto quer pelos sacerdotes do Seminário quer pela comunidade das irmãs, que lhes deram e dão incessante apoio e também por psicólogos. Devo dizer que foi constante o diálogo mantido com eles e com as suas famílias. E, por estranho que pareça, o facto é que destes 5 alunos que se consideram vítimas nenhum optou por sair do Seminário, continuando todos a dizer que gostavam de o frequentar.

Claro que o acompanhamento da Diocese, como outra coisa não seria de esperar, foi também para o Rev.do Padre Luís Miguel Campos Mendes, criando-lhe as condições necessárias para ele poder viver com dignidade os momentos difíceis inerentes a todo o processo que passou a envolvê-lo.

A nós Diocese da Guarda fica-nos a consciência de até agora tudo termos feito e desejarmos continuar a fazer para que tanto os adolescentes que se consideram vítimas como o acusado tenham as condições de que precisam para viverem com o mínimo de custos, sobretudo pessoais, este momento difícil e necessariamente marcante para as suas vidas.

E termino renovando o mesmo propósito do comunicado de há um ano em que dizia, sobre o que à diocese da Guarda diz respeito neste processo: “cumpriremos escrupulosamente as determinações do tribunal”.

Renovo votos de Santo Natal para todos. Guarda, 16 de Dezembro de 2013

+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda

Som nº 14: http://padrehugo.com/radio/

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