A História ensina-nos que por iniciativa da Rainha D. Leonor fundou a Primeira Instituição da Santa Irmandade da Misericórdia de Lisboa, nos tempos idos de Agosto de 1498.

Mais tarde, D. Manuel I, atendendo à grande obra assistencial prestada em Lisboa, tomou várias medidas tendentes à formação de idênticas confrarias em diversas partes do Reino de Portugal.

Em 16 de Fevereiro de 1514, D. Manuel I, reunido com a Corte Real em Almeirim, ordenou a Gaspar Roiz que escrevesse aos Mestrados da Ordem de Cristo: “ que vades a dita Villa de Castelo Branco e nos informeis de tudo bê declarado para promovermos a isso como nos bê parecer.”

Este é o documento mais antigo, é o primeiro compromisso que rege a Irmandade de Castelo Branco, e assim nasceu, nesse dia, a Santa Casa da Misericórdia, também a primeira nesta parte do território nacional.

Em 1603, Frei Bartolomeu da Costa, albicastrense, Tesoureiro Mor da Sé de Lisboa, foi um dos maiores benfeitores, deixando a sua fortuna e a sua própria casa, sita na Rua D’Éga, à Misericórdia de Castelo Branco.

Apenas apontei estas pinceladas, para nos situarmos no momento histórico inaugural, deixando todo o percurso com quinhentos anos para os estudiosos.

Conheci esta Instituição em 1975, quando ali funcionou o Hospital de Castelo Branco e precisei dos seus serviços.

Com a inauguração do Hospital Amato Lusitano, as instalações da Santa Casa da Misericórdia, foram aproveitadas para duas valências muito importantes, a primeira virada para as crianças, com a criação de um Jardim de Infância, a segunda para os Idosos com um Lar. Mais tarde criou um Centro de Medicina e Reabilitação e em Maio próximo espera a funcionamento da Unidade de Cuidados Continuados Integrados.

Quanto ao Jardim de Infância, nunca esquecerei o apoio prestado aos Serviços Prisionais de Castelo Branco, recebendo durante algum tempo as crianças, filhas de reclusas, o que não era fácil, na medida em que levavam um sinete sinalizando que pertenciam a “gente criminosa”.

Não esqueço quando ali se realizou a Assembleia-Geral dos Ex-Alunos da Escola Apostólica de Cristo Rei de Gouveia. As Instalações foram colocadas à inteira disposição da Associação, o amplo auditório onde se realizou a Assembleia-Geral. O Dr. Pires Nunes proferiu para os visitantes uma brilhante palestra sobre a história e a vida albicastrenses, terminando com uma visita guiada à cidade.

Não posso esquecer os diversos encontros e convívios escutistas, com o Agrupamento 160 do CNE e Grupo 67 da AEP de Castelo Branco, com um espirito democrático e aberto às duas entidades. Ali se fizeram alguns fogos de conselho, reuniões e cerimónias litúrgicas, partilhando os espaços com os escuteiros, famílias e amigos.

Não posso esquecer, quando ali se celebravam as Eucaristias em Homenagem aos Militares que deram a vida pela Pátria, no Aniversário do Núcleo da Liga dos Combatentes de Castelo Branco, reunindo centenas de militares e ex-militares com as suas famílias. Era celebrante o ex-capelão militar Padre José Sanches, da Comunidade Redentorista, que nas suas homilias enaltecia o nosso serviço à Pátria, que nunca devíamos ter vergonha de ter vestido a farda militar e nunca ter medo daqueles que a traíram. No final das Eucaristias, pedia para todos entoarmos o Hino Nacional, o que fazíamos com muito patriotismo.

Muitas mais recordações há para assinalar, aqui fica uma pequena resenha de algumas. Nesta hora, não posso esquecer os trabalhadores daquela casa (340), o Provedor Coronel Guardado Moreira, o Senhor Horta, o Professor António dos Santos Folgado Frade, o Capitão Francisco Carvalho. Voluntariamente e com muita dignidade, conduziram os destinos e valorizaram os Serviços da Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco.

Esta Misericórdia é fundamental, um parceiro indiscutível no desenvolvimento das políticas e práticas de apoio social, de combate à pobreza e à exclusão.

António Alves Fernandes

Aldeia de Joanes

Fevereiro/2014

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