CENTENÁRIO DA CAPELINHA DAS APARIÇÕES

Estamos em pleno mês de maio. Maio é, por excelência, o tempo de devoção a Nossa Senhora e também, talvez por isso, celebramos o Dia da Mãe.

Foi neste mês que aconteceu a primeira aparição de uma Senhora mais brilhante que o sol, a três humildes crianças, que apascentavam o seu rebanho.

Na última aparição em 13 de outubro de 1917, a Senhora pediu aos videntes: “quero dizer-te que façam aqui uma capela em minha honra, que sou a Senhora do Rosário, para que continuem a rezar o terço todos os dias.” Efetivamente, há mais de um século que naquele local se reza diariamente o rosário, em diversas línguas.

Procurando dar resposta a este desejo celeste, o povo a expensas suas e com donativos conseguidos, começa a construir uma pequena capela no local onde aconteceram as cinco aparições.

Saliente-se que este movimento popular foi liderado por uma mulher, de nome Maria dos Santos Correia, ficando conhecida por “Maria da Capelinha”, que começou por enobrecer inicialmente aquele local com flores, construindo depois um arco de madeira e um pórtico que sinalizava o local onde Nossa Senhora terá aparecido. Também é ela que recolhe todas as esmolas que o povo anónimo foi colocando junto à “Azinheira das Aparições.”

Amealhando com suor e lágrimas, consegue finalmente construir a “Capelinha das Aparições” tendo sido inaugurada, em 1919, logo após o termo da Primeira Grande Guerra, fazendo por isso neste ano os seus primeiros cem anos.

Inexplicavelmente foi destruída e vandalizada, pouco tempo depois da sua inauguração, tendo prontamente sido novamente reconstruída. As forças anticlericais ligadas à primeira República nunca se compadeceram com este ato de Fé. Na realidade o edifício em si era uma capela popular, como tantas capelinhas das nossas aldeias, com as caraterísticas de uma ermida tendo um telhado de duas águas, murete em redor, porta única e simples e um adorno em azulejo.

No interior havia um pequeno altar ornamentado com um nicho, que acolheu a imagem de Nossa Senhora executada pelo escultor José Ferreira Thedim. No exterior, numa peanha, está atualmente a Imagem de Nossa Senhora de Fátima, que marca o sítio onde se encontraria localizada a azinheira sobre a qual a Virgem apareceu aos pastorinhos, estando mais a norte uma réplica dessa mesma árvore.

Não sofreu alterações até 1982. Na visita de João Paulo II, foi inaugurado o alpendre, com uma estrutura quadrangular, que dá entrada da luz natural, fazendo lembrar um pálio processional, muito em uso nas Procissões do Corpo de Deus.

É um espaço sagrado e litúrgico permanente, que alberga centenas de peregrinos, de onde partem as procissões, em todos os dias 13 de cada mês, onde se cumprem promessas, se dão ofertas e também ramos de flores à Mãe de Deus.

É local de paragem obrigatória, de congregação e de oração, de milhões de peregrinos que visitam todos os anos a Cova de Iria.

A Capelinha das Aparições pode ser muito pequenina na sua estrutura, mas tem uma dimensão mundial, global, de grande significado religioso e de Fé.

Talvez por isso já dure 100 anos, e acredito que por mais séculos será um porto de abrigo para um peregrino agradecer e penitenciar à Nossa Senhora de Fátima.

 

António Alves Fernandes

Aldeia de Joanes

Maio/2019

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