Neste domingo de festa do Padroeiro S. Miguel nesta bela terra da Cogula, gostaríamos de partilhar convosco a história da Casa Paroquial.

Foi uma bela casa, onde moraram sorrisos, onde correram crianças, onde floriram as mais lindas flores nos jardins, onde se partilhou o pão, o amor e a fé em Deus.

Uma casa sólida, banhada pelo sol dos verões inclementes e coberta pelos nevões dos invernos agrestes, mantendo no seu interior o abrigo acolhedor para quem a procurava.

Uma casa que viu partir os seus donos e com eles os sorrisos, o som das conversas à volta da mesa e das orações, pedindo a Deus saúde e paz no mundo.

E fechada foi durante um tempo, tristemente aguardando o seu destino, até que os seus herdeiros a doaram generosamente à Paróquia.

E durante muitos anos foi a casa Paroquial, ganhando vida nova e onde o Senhor Padre Teixeira viveu muitos anos no conforto e aconchego das suas paredes e tecto.

Mas o tempo foi deixando as suas marcas e o que foi outrora um belo edifício, a cada ano se foi tornando tristemente decadente, gritando no silêncio das suas pedras massacradas, que precisava de cuidados, de ser cuidada, como cuidou de abrigar quem a ela recorria.

E nós, os responsáveis pela Paróquia e consequentemente pelo seu património, queremos partilhar convosco a nossa tristeza de assistir impotentes à sua decadência e comunicar-vos a firme intenção de a recuperar como ela merece

Mas tem esta paróquia nas suas mãos um dilema que espera a intervenção divina para o ajudar a resolver, com a ajuda de Deus e de todos os que fazem parte desta terra, de gente de bem, uma terra com um passado de perdas e glórias.

Há dois finais possíveis para esta casa:

O final feliz, com a nossa vontade e empenho suportada pelo apoio de populares e instituições, proceder à sua recuperação, dando-lhe novamente o viço, a beleza e a robustez de outrora.

E colocando-a ao serviço da nossa comunidade como um espaço de cultura, acolhimento de grupos de jovens, espaço de formação e encontro para partilha de momentos, reservando também uma parte para a residência e cartório paroquial.

Mas para este final feliz, é preciso unirmos as nossas almas e os nossos esforços, abraçando este projeto e, com amor no coração e a nossa fé, torná-lo numa maravilhosa realidade.

O outro final, este menos feliz, será ver cair, uma a uma, cada telha do seu telhado, outrora abrigo e conforto nas invernias, será ver o matagal apoderar-se do espaço circundante e, em pouco tempo, ficar engolida pela selva e abandono…

Sem servir a ninguém.

Chegará um tempo em que nada restará senão memórias e pedras precariamente sobrepostas, sem telhado e sem abrigo, as janelas e as portadas esventradas pelos vendavais, abandonada completamente aos elementos.

Qual destes finais vos parece mais digno e que honre a família que doou estas paredes para serem preenchidas com oração e amor, numa promessa de esperança no futuro para esta comunidade?

É este o dilema que temos em mãos, porque a Paróquia não tem capacidade económica para avançar sozinha e por isso contamos com cada um de vós para decidirmos em conjunto, qual o final a dar a esta grande casa que tem ainda tanto para dar à comunidade e à Igreja, se houver quem esteja disposto a lutar por ela e a sarar as suas feridas que o tempo e a falta de cuidado deixaram na sua estrutura.

Temos noção que será uma grande obra, mas se for uma obra de Deus, nada nos impedirá de a concretizar e a seu tempo todos nós podermos usufruir desse esforço na contemplação dos sorrisos das crianças e jovens que voltarão a iluminar as suas paredes.

 

Seja qual for o seu destino, quero aqui deixar o meu agradecimento e em nome desta Paróquia à família Crespo pela sua generosidade na doação desta casa

Cogula: casa paroquial

Cogula: casa paroquial

 

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