É o 78º Bispo da Diocese do Porto, há poucos dias nomeado pelo Papa Francisco. Nomeação que surpreendeu tudo e todos, sobretudo os que estariam a sonhar ocupar aquele lugar. Falou-se num Bispo que foi colocado numa Diocese, mas nunca mexeu nas malas, sempre à espera de ser nomeado Arcebispo, e foi.

As suas primeiras palavras foram para a Igreja Católica do Porto: “ junto dos doentes, dos pobres e dos que sofrem, para procurar fazer caminho de bondade e de esperança na busca comum de um mundo melhor. Quero ser Apóstolo das Bem-aventuranças, nestes tempos difíceis que vivemos.”

A Diocese do Porto nasceu em 1114. Anos depois, em 1143, formou-se a Nação Portuguesa, no tratado de Zamora. Antes da fundação da nacionalidade, já existia a Diocese do Porto, com muitos e brilhantes prelados, destaque para D. António Ferreira Gomes.

É constituída por um grande número de paróquias (477), com quase 100% de população católica, mas infelizmente só 20% são praticantes. A densidade populacional é de dois milhões de habitantes, ultrapassando Lisboa.

Conheci pessoalmente, em Fátima e Aveiro, D. António Francisco dos Santos, em ações da Cáritas e verifiquei a proximidade com todos nós.  

Em Dezembro de 2011, reencontrei-o num Encontro Nacional da Cáritas Portuguesa, que decorreu no Centro Universitário da Fé e da Cultura de Aveiro, referente a um projeto que visava a criação e animação dos Grupos Paroquiais Sócio Caritativos, em cada Diocese, para a procura e resolução de problemas humanos das comunidades locais.

As suas intervenções nas reuniões não eram teóricas, mas assentavam em práticas e exercício de atividades sociais.

Almoçou-se no Seminário de Aveiro e aí o Bispo de Aveiro manifestou a diferença. Antes de se sentar à mesa, onde já estavam os alunos seminaristas, tomou a atitude de lhes servir as refeições. Nunca tinha assistido a uma destas ações por parte de um Bispo, não estava habituado a atitudes destas na hierarquia eclesiástica. Há gestos que valem mais que mil palavras, que muitos sermões.

Também recordo as ações desenvolvidas numa nova pastoral, principalmente junto dos jovens. A Igreja de Aveiro saiu das suas paredes, das suas sacristias e foi evangelizar para as praias, criando centros de convívio para os jovens católicos.

Teve conhecimento do Grupo de Reflexão dos Recasados existente em Aveiro e segunda uma responsável escreveu, “ ajudou-nos muito, esteve em todos os debates, que encerrou com as últimas palavras”. Não meteu a cabeça na areia, nem esteve afastado destes problemas.

Perante estes fatos, despertou o interesse em conhecer melhor esta figura da Igreja. Nasceu há 65 anos na freguesia de Tendais, concelho de Cinfães, do distrito de Viseu, num ambiente rural que o moldou com os valores de todos aqueles que trabalham e cultivam a terra.

Em 1972, depois de frequentar os estudos em Resende e em Lamego, foi ordenado sacerdote.

Passou cinco anos em Paris, onde estudou Filosofia na Escola Prática de Altos Estudos Sociais. No Instituto Católico de Paris, obteve o Mestrado em Sociologia Religiosa. Complementou a sua presença em Paris, desenvolvendo missão pastoral junto da comunidade de imigrantes portugueses, na paróquia de S. João Batista de Neeuilly-sur-Seine.

Em 2004, João Paulo II nomeou-o Bispo Auxiliar de Braga, e Bento XVI, em 2006, atribuiu-lhe a Diocese de Aveiro, onde está há sete anos.

Ocupa o cargo de vogal do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa, e é Presidente da Comissão da Educação Cristã e da Doutrina da Fé.

O Papa Francisco ao escolhê-lo para o Porto, não pensou no nome do seu homónimo bispo, mas sim no trabalho pastoral desenvolvido em Aveiro.

Brevemente tem uma nova etapa: desempenhar a missão apostólica na Diocese do Porto, que tenho a certeza, irá estar ao serviço das pessoas.

 

António Alves Fernandes

Aldeia de Joanes

Março/2014

Foto: www.padrehugo.com

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