Há seis anos que no Fundão se iniciou um novo ciclo, reunindo no Multiusos a família de todas as comunidades de vinte e cinco Paróquias, que compõem o Arciprestado Fundanense. Este ano sob o tema: Que Igreja Somos? Uma Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica. Durante o ano decorreram algumas sessões de formação na denominada Escola da Fé do Arciprestado do Fundão, com o objetivo de auxiliar as Comunidades Cristãs, na formação pastoral e litúrgica e criar laços de unidade e uniformidade entre as Paróquias.
A anteceder este Encontro Arciprestal, realizou-se uma Marcha Noturna, com a direção ao caminho da figura de Jesus Cristo.
Do Seminário do Fundão, saíram três autocarros cedidos pela Câmara Municipal, que conduziram cerca de duzentas pessoas, a maioria jovens, sob a direção do Padre Luís Pardal.
Foram acompanhados por uma equipa multidisciplinar, preparada para o efeito, que os levaram para o Açor, junto ao Campo de Futebol.
Na linda e acolhedora Igreja do Açor, sob o patrono de S. Jacinto, foi celebrada a Eucaristia, com a participação da comunidade local, apesar das doze badaladas nocturnas.
A seguir subiu-se a encosta do Açor, acompanhados por um luar que nos indicava o caminho. Já se ouviam as eólicas com as suas pás que não paravam de produzir energia. Desceu-se para a Enxabarda e os sons são mais agradáveis. Ouviu-se o barulho das águas que correm nas ribeiras. O luar indicava os socalcos do terreno e as dificuldades de uma progressão terrestre. Assim se entende as enormes dificuldades que as tropas de Napoleão aqui sentiram, mencionadas nos diários de guerra do comandante francês.
Na Igreja Matriz da Enxabarda, rezou-se o Rosário, caminhando-se em total silêncio até ao Senhor da Saúde do Souto da Casa, onde a Junta de Freguesia local ofertou um pequeno-almoço retemperador das forças físicas e anímicas, o que permitiu chegar às seis da manhã ao Monumento de Nossa Senhora de Fátima do Fundão.
No domingo, teve lugar à tarde a Eucaristia presidida pelo Bispo da Diocese, acolitado por um Diácono e doze sacerdotes. Já foram vinte e quatro, nos dias de hoje são apenas oito párocos, para vinte e cinco paróquias, algumas com anexas. Sinais dos tempos.
É importante refletir e procurar dar cumprimento às palavras significativas do Pastor da Diocese. Salientou que neste Arciprestado, que percorreu nos últimos dias a título de balanço, verificou a matrícula de mil e quatrocentas crianças e adolescentes na Escola da Fé (Catequese), apoiados por cento e noventa e cinco catequistas. No ano transacto, realizou cerca de duzentos crismas, números que são fatores de esperança para estas comunidades paroquiais: “A Escola da Fé deve ser mais abrangente, deve atingir todas as idades. O programa é de carater permanente e o compêndio chama-se Evangelho, os alunos são todos e o Mestre é Jesus Cristo”.
Apelou para a capacidade de mudança, principalmente de mentalidades, trabalho que não é fácil de concretização. Queremos uma Igreja distribuidora de serviços, uma Igreja ao serviço dos pobres. Não devemos olhar para a Igreja como uma agência de serviços, tem de ser família, tem de ser comunidade. É este o projeto de Deus. Esta vivência comunitária tem de dispor de diversos instrumentos, que são principalmente os ministérios.
Por exemplo, a missão do ministro extraordinário da comunhão, além de levar a hóstia consagrada, Cristo Ressuscitado, aos doentes e idosos, deve ser um ponto de encontro, de proximidade, uma ponte de relações.
Há a necessidade de as comunidades terem uma autoridade de serviço aos irmãos, que conheça as pessoas, que motive, que estruture, que incentive a participação num diálogo construtivo, que abra caminhos…
Dentro desta plataforma, urge acompanhar e apoiar familiares em luto, jovens casais, batizados, casamentos, eucaristias semanais e principalmente dominicais – o grande encontro da família paroquial. Referiu-se que as famílias são ninhos de vida e não podem ser locais de morte.
No ofertório foram oferecidos diversos frutos, lamentando-se a ausência da cereja do Fundão.
Uma palavra para o Grupo Coral, que cantou e tocou com elevado nível musical de carater religioso.
Com tantos desafios e apelos – que Igreja somos, que Igreja queremos e devemos ser? A esta interrogação, a resposta está em cada um, no seu dia-a-dia, sem medos nem constrangimentos.

António Alves Fernandes
Aldeia de Joanes
Maio-2013

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