Arquivo: Edição de 09-07-2009

SECÇÃO: Entrevista
Hugo Alexandre Pichel Martins, ordenado Padre no dia 28 de Junho

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“Nós Presbíteros temos de ser testemunho de esperança”

Hugo Alexandre Pichel Martins é natural de Celorico da Beira. Passou pela Escola de Santa Luzia até ao 4º ano, do 5º ano até ao 12º ano pela Escola Sacadura Cabral, em Celorico da Beira. Concluído o Ensino Secundário entrou no Seminário da Guarda, passando A frequentar o Instituto Superior de Teologia do ano Propedêutico até ao Sexto Ano de Teologia. Obteve o grau académico pela Universidade Católica Portuguesa.
Foi ordenado sacerdote, no dia 28 de Junho, na Sé da Guarda, por D. Manuel Felício, Bispo da Guarda.
Actualmente é cooperador pastoral nas paróquias de Alvoco da Serra, Cabeça, Loriga, Sazes da Beira e Valezim, no arciprestado de Seia.

A Guarda: Quem é Hugo Alexandre Pichel Martins?

Hugo Martins: Sou, entre três irmãos, filho de Belmiro José Gonçalves Martins e de Isabel Maria de Almeida Pichel Martins. Celoricense, entre tantos outros, que Celorico da Beira viu nascer há vinte e seis anos. Com dezoito anos fiz a opção central da minha vida: Servir a Deus, com alegria, como Presbítero.

A Guarda: Qual a sua ligação à Diocese da Guarda?

Hugo Martins: É esta a Diocese, que me viu nascer bem como viver até hoje. E nesta porção do povo de Deus que eu quero servir a Igreja como Presbítero.

A Guarda: Como é que foi o seu percurso académico?

Hugo Martins: Frequentei a Escola de Santa Luzia até ao 4º ano, do 5º ano até ao 12º ano a Escola Sacadura Cabral na mesma Vila de Celorico da Beira. Aqui fiz parte do clube de Jornalismo e de Informática, foi delegado de turma e representante dos alunos no conselho pedagógico. Frequentei o nosso Instituto Superior de Teologia do ano Propedêutico até ao Sexto Ano de Teologia, passando pelos edifícios dos Seminários de Guarda, Lamego e Viseu, obtendo grau académico pela UCP. Este caminho em Seminário, foi feito de forma gradual, com bons momentos e outros menos bons, aliás como todas as vocações. Reconheço também que o nosso Instituto Superior de Teologia sediado em Viseu é a mais-valia para os nossos Seminaristas Maiores, é esta a escola que melhor pode formar Pastores que conheçam e estejam inseridos nas Dioceses de origem para melhor aqui servirem o Povo de Deus.

A Guarda: E o que é que o levou a entrar no Seminário?

Hugo Martins: Até ao 12º frequentei, a catequese como catequizando. Mais tarde foi também catequista. Fiz parte do grupo de acólitos, do grupo de jovens Trovadores de Deus (que se dedicam a animar com o canto as celebrações). Em 1996 funda-se o agrupamento de escuteiros onde fiz promessa de escuteiro a vinte de Outubro deste mesmo ano.
Terminado o 12º ano, como qualquer jovem coloquei a questão: qual a minha vocação? Esta interpelação, é feita de forma directa, pelo meu Pároco: Hugo queres ir para o Seminário? Eu na altura disse-lhe: aguarde uns dias e reze que eu logo lhe dou uma resposta.
De certo que, vejo no meu Pároco, um exemplo; a exigência de vida, a oração, a alegria com que vive e transmite a Fé, as suas capacidades humanas, a sua proximidade, faz com que a minha resposta seja sim.

A Guarda: Como analisa a actual distribuição do clero na Diocese da Guarda?

Hugo Martins: Ao lermos o n.º 10 da Presbiterorum Ordinis, rapidamente vemos que quando falamos da «distribuição» do Clero vemos que ai se fala de uma amplitude eclesial profunda em que aquelas Dioceses que mais (Clero) têm são chamadas a partilhar com as que menos têm. No entanto na nossa Diocese há aspectos a considerar, sensibilidades variadas e flutuantes, circunstâncias pessoais de cada presbítero, situação de cada comunidade, avanços e recuos…
Toda esta ênfase dada, nos últimos tempos, à questão das “unidades pastorais” tem a sua raiz numa necessidade. Certamente, podemos dizê-lo. O ponto de partida é a necessidade, no entanto, ter “unidades pastorais” é diferente de ter unidade na pastoral. Antes de ser um facto organizativo, a unidade pastoral é uma escolha de valores, de atitudes, de modos de pensar a pastoral nas paróquias e assim poder responder mais e melhor numa pastoral organizada capaz de ir ao encontro das pessoas com um Plano Pastoral Diocesano.

A Guarda: Há ou não necessidade de mais padres?

Hugo Martins: No contexto actual a palavra crise afecta todo um campo de âmbitos da sociedade. Penso que quando aplicada esta palavra ao ministério Sacerdotal nos deve colocar a nós presbíteros alguns desafios fundamentais:
1) O Padre é chamado cada vez mais a ser homem da Palavra. O Padre deve estar constantemente, como o seu coração e entendimento, a beber da Palavra de Deus, de modo que possa anunciá-la com testemunho pertinente e actual agindo com simplicidade e prudência.
2) O Padre é chamado a exercer a paternidade espiritual para com todos, especialmente aqueles que mais necessitam, sendo sinal de esperança.
3) O Padre é chamado, para ser fiel à Tradição da Igreja, a estar atendo ao sopro do Espírito Santo, valorizando-o.

A Guarda: Como vê o desinteresse dos jovens em relação à Igreja?

Hugo Martins: Ao olharmos os nossos jovens, aliás bem como a sociedade em geral, vemos que palavras como exigência, compromisso não fazem parte da vida de muitos. A Igreja tem muito a ganhar com a larga experiencia de alguns movimentos ligados à Juventude. Os novos movimentos Eclesiais são também uma grande oportunidade. A Igreja tem de saber comunicar o rosto de Cristo aos Jovens. Tenhamos a coragem de propor aos jovens do nosso tempo, com determinação e beleza este mesmo Cristo Ressuscitado que quer caminhar com eles. Propor Cristo não como um qualquer produto mas como aquele que ao caminhar com Ele dá sentido e qualidade à vida.

A Guarda: No seu ponto de vista, ainda há lugar para Deus, na actual sociedade?

Hugo Martins: A sociedade de hoje consta que o rumo que está a seguir (como ausência de ética, consumo sem para além do necessário e capaz de bens, utilização incorrecta dos recursos naturais, má distribuição da riqueza, politicas incorrectas de ordenamento territorial) não fazem o homem feliz e por isso a palavra crise está na moda. Numa sociedade, em que aquilo que existe tem lugar na “Net”, ao fazermos uma pesquisa no “Google” 47.200.000 entradas para crise. (0,14 segundos) e 53.200.000 para Deus em (0,24 segundos). Ora nós Presbíteros temos de ser testemunho de esperança pela forma como testemunhamos Deus aos homens na sociedade.
O homem tem em si sede de Deus e na sociedade Portuguesa em que o défice de esperança/confiança é dos mais elevados os Presbíteros têm aqui um largo campo para semear…

A Guarda: Onde é que está a exercer a actividade pastoral?

Hugo Martins: Estou a colaborar com o Pe. João aqui nas suas Paróquias (Alvoco da Serra, Cabeça, Loriga, Sazes da Beira e Valezim), na escola, e também na catequese a nível da Diocese. Aqui me apresentei como simples servo para esta vinha.

A Guarda: Perspectivas para o futuro em termos pastorais?

Hugo Martins: Como sacerdote quero estar atento aos sinais do mundo. Escutar muitos e muito. Ter a capacidade de acolher. Ser homem de proximidade com Deus e os homens. Ser Sacerdote orante. Ter um rosto de um Cristo que é Amor e Alegria. Ser sempre instrumento da salvação para todos e em especial aqueles que de nós mais precisam.

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