FUNDÃO – A IGREJA ESTÁ MAIS POBRE

As Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição chegaram ao Fundão em 1899. Durante mais de um século desempenharam nesta cidade relevantes serviços, principalmente na área da saúde como enfermeiras. Com os parcos meios disponíveis faziam autênticos milagres no Hospital da Misericórdia. Também prestavam assistência a mais de uma vintena de pessoas com a doença da tuberculose.

Passaram para o novo Hospital, onde desempenharam idênticas tarefas, deram aulas, apoio à terceira idade e outras actividades.

As gentes fundanenses manifestaram sempre uma enorme gratidão para com estas mulheres em serviço de Missão que “apenas queriam ter uma campa digna no Fundão.” Tal objectivo não se concretizou e há mais de uma década saíram do Fundão, para nunca mais voltar.

Há anos fechou o Seminário Menor do Fundão, resultado dos acontecimentos do conhecimento geral.

No fim do ano de 2018, chegou a vez dos Padres Espiritanos, que desde 1978 se encontravam com uma pequena unidade missionária radicada no Fundão, instalados numa vivenda na Rua Dr. João Pinto, cedida pelo então Presidente da Câmara Municipal, o Dr. Celestino Monteiro, cuja moradia, na gíria popular, é conhecida pela Casa das Ribeirinhas.

É longa a História dos Missionários do Espírito Santo na Diocese da Guarda. Em 1910, perante a perseguição republicana à Igreja, ali foram acolhidos.

Em 1910, D. Manuel Vieira de Matos fez diligências para que estes missionários se instalassem na cidade fundanense.

Em 1920, o Seminário Menor do Fundão teve nas funções de director espiritual um Missionário da Congregação do Espírito Santo.

Em 1931 alguns seminaristas espiritanos estudaram no Seminário Maior da Guarda e foram ordenados missionários.

Nas décadas de sessenta e setenta do século passado eram imprimidos mensalmente vários milhares de exemplares da Acção Missionária, dos Padres Espiritanos, na Tipografia de Gouveia da União de S. João, propriedade dos Missionários de São João Baptista.

Em 1971 desempenharam missões pastorais na cidade da Guarda, concretamente na Zona da Estação Ferroviária.

Em 13 de Outubro de 1962, D. Policarpo da Costa Vaz, então Bispo da Diocese da Guarda, solicitou em carta enviada ao Superior Geral a transferência para o Fundão.

Em Dezembro de 2018, fecha-se um ciclo de permanência destes missionários no Fundão. Para assinalar este acontecimento, decorreu no dia 29 de dezembro, na Igreja Matriz, uma Eucaristia de Gratidão pela presença e colaboração dos Missionários Espiritanos na Paróquia do Fundão, coincidindo com a Festa da Família.

O canto de entrada:  “os pastores vieram ali à pressa e encontraram Maria, José e o Menino, deitado numa manjedoura”…

Os textos bíblicos da liturgia apontam para os valores da família, um espaço que tem de ser santuário e igreja doméstica, o que muitas vezes não acontece.

Nesta acção pastoral e familiar, de diálogo e de soluções, os Missionários do Espírito Santo responderam sempre sim. Às vezes aqueles que servem as instituições esquecem-se que, apesar de pontos divergentes, devem estar sempre ao serviço do bem comum.

A acção missionária daqueles homens esteve sempre no acompanhamento dos mais fragilizados, dos mais idosos, além do apoio espiritual aos paroquianos da metrópole fundanense. Destaca-se o trabalho diário no Lar da Santa Casa da Misericórdia do Fundão.

São lembrados diversos nomes destacáveis no Fundão: Padre José Vaz, Padre Francisco, Padre José Salgueiro, entre outros.

O Padre José, Provincial da Congregação, salienta que a Diocese da Guarda tem uma grande responsabilidade missionária. Deste território partiram para muitas partes do mundo gentes missionárias, relembrando a ligação aos serviços diocesanos.

Nesta vida de comunhão e missão na comunidade, agradece aos fundanenses o carinho, o como souberam distinguir os membros desta Congregação: “Iremos indubitavelmente ligados a esta comunidade e à Diocese da Guarda”.

No final da festividade litúrgica, muitas vozes são ouvidas: “O Fundão fica mais pobre.”

No dia seguinte, a caminho de Lisboa, dou um abraço de despedida ao jovem Padre José Salgueiro, a caminho de Braga, que tantas recordações deixou na Paróquia de Aldeia de Joanes.

António Alves Fernandes

Aldeia de Joanes

Janeiro/2019

Comentários

Comentários