Todos os dias vemos, ouvimos e lemos as mais diversas e disparatadas notícias sobre este mundo da bola. Os diversos meios da comunicação social tornam-se veículos de humor para rir à gargalhada.

Vem aí o campeonato de futebol e ainda há clubes que não sabem se têm condições económicas para inscrever jogadores, pois são tantas as dívidas aos homens do chuto, à segurança social, ao fisco…

O Campeonato ainda não começou e já sabemos quem vai ser o campeão nacional, o mesmo do costume.

Dizem-me que o Papa Francisco, que muito admiro, se vai deslocar a Portugal, no próximo mês de Maio de 2014, para estar em Fátima e abençoar Portugal. Na sua agenda também tem marcado o Porto, mais concretamente o Estádio do Dragão, onde se assistiu ao milagre de ver Jesus novamente ajoelhado…

Lê-se, e ninguém acredita, que um jogador acordado com o Benfica roeu a corda à última da hora e foi parar a um Clube do Norte, dizendo numa entrevista: “ vou dar a vida por este clube “. Alguém é parvo e acredita nesta linguagem… Muitos dizem, quando fazem contratos milionários, que são desse clube desde pequeninos, alguns ainda estavam no ventre da mãe.

Há um clube que dá 16-0, 6-0, 4-0, grandes cabazadas, pelo que o campeonato português já tem dono.

Num grande de Lisboa, há brumas por todo o lado, fala-se em raptos, notícias brumosas, enquanto os dirigentes juram que as coisas estão a mudar… pelo menos já não prestam vassalagem ao Porto.

Há tanto ética no nosso futebol, que um dirigente ficou com a mão estendida, não sendo correspondido, o que resultou no corte de relações institucionais. Boa atitude.

No futebol, não há crise de dinheiro nas mãos dos jogadores e até há alguns que não dispõem de tempo para estudar o código de estrada e são acusados de “comprar“ as licenças para conduzir aquelas milionárias bombas de quatro rodas.

Há um clube nacional que, apesar da crise, tem nas suas fileiras mais de uma centena de jogadores e fala-se que vai fazer quatro equipas, para jogar em estádios desconhecidos todos os dias da semana. Isto é que é fartura…

Nas televisões de todos os dias, além dos debates políticos- se há eleições, se há um governo de salvação nacional, se o PIB cresce, se é necessário mais um empréstimo da troika-, há debates futebolísticos, que nos divertem mais que o Portugalex, programa diário da Antena Um.

Quem esteve atento ao início da apresentação das equipas para a época futebolística 2013/ 2014, verificou que todos os homens da bola chegaram aos estágios montados em grandes cavalos de muitos milhares de euros. A Associação Automóvel de Portugal informa que nos primeiros cinco meses, se venderam, em relação a 2012, mais 689 mercedes, 301 BW48m e 11 Jaguares. Afinal a crise não é para todos.

Na primeira página de um dos três diários desportivos, publicados em Portugal, vemos uma manchete de arrepiar: “Chegou uma Fera”. Assustou-me o título, este belo país, plantado à beira mar, transformado numa selva e invadido por animais selvagens… Talvez não fosse o melhor dos mundos, a menos que a “fera” fosse para animar as crianças no circo. Afinal, enganei-me, era mais um jogador de futebol que vinha da América Latina, seguramente para um empresário gozar de mais uma comissão e beber caipirinhas no país do Samba.

Um jogador de um Clube Lisboeta diz: “ jogamos com os olhos fechados”. Um clube de ceguinhos poderá inscrever-se?

Outro jornal desportivo adianta que “ o comandante abriu o caminho”, fala-se de um jogador que “deu ordem e organização no miolo”, subentende-se que tenha sido no jogo da bola indígena, e não no miolo de algum dirigente político.

Num jogo na Nigéria, dois clubes tinham de ganhar por 76-0 e 72-0, o que conseguiram e, não se sabe como, lá subiram à Primeira Divisão. Jogadores, árbitros e dirigentes foram todos suspensos e estas goleadas foram encaminhadas para as balizas da justiça. Se esta atuar como em Portugal, com tantos recursos e contra-recursos, daqui a uns anos saberá como aconteceram estes fenómenos desportivos.

Vem aí mais um campeonato de futebol, diz o meu irmão que é uma das indústrias nacionais mais importantes, em que as exportações superaram as importações na balança de pagamentos, dados que o INE deve conhecer de imediado, a menos que se verifiquem transações debaixo das mesas.

Vão surgir todos os dias e horas, a bem da crise, discussões dos lances mais polémicos, transmitidos até à naúsea pela TV, onde os grandes clubes são os eternos protagonistas. Nos estádios vai correr tudo muito bem, não se ouvirão palavrões, não se chamarão nomes aos árbitros, as suas mães serão respeitadas. Verificar-se-á muito civismo e fair play em todos os intervenientes. O mundo do futebol português estará em paz.

António Alves Fernandes

Aldeia de Joanes

Julho/2013

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