Portugal vivia a sua expansão ultramarina no seu maior apogeu, iniciada pela ínclita Geração dos filhos da Rainha Filipa de Lencastre, casada com o Rei D. João I, o Mestre de Avis, o Rei da Boa Memória.

Não só prepararam a Época dos Descobrimentos, que alguns querem apagar da História de Portugal, mas também as primeiras Praças Fortes do norte de Marrocos, Ceuta, Tânger…

Essa epopeia foi seguida pelos Reis D. Duarte, D. Afonso V, D. Manuel I, D. João II, D. João III. Após a sua morte subiu ao trono a centralizadora D. Catarina de Áustria, que durante cinco anos exerceu o poder régio com gosto e arte, prudência e uma administração rigorosa dos valores públicos.

Todavia, não se invalidou que Portugal sofresse a primeira bancarrota em 1560. Eram tantas as intrigas, as invejas na Corte, que se lavrou a sentença: “assentei mandar-vos que em esse lugar no qual Sua Alteza é presente, e os três Estados dos seus Reinos, declarareis e notificareis de minha parte, que não é possível com a minha disposição ter mais o dito Governo.”

A suceder-lhe na Coroa estava o seu neto D. Sebastião que, ambicioso e romântico, delirava com conquistas em África e no Oriente.

O representante do Papa Gregório escreveu-lhe: “as coisas deste reino caminham diariamente para a ruína: e sua Majestade vai à caça. O Governo deste reino é a coisa mais anedótica do mundo… não faltam os que têm língua comprida e não se envergonham de dizer que o rei está meio louco, deixando guiar todas as coisas ao acaso. Não se entende com a Rainha. Não gosta do Cardeal. O Cardeal e a Rainha são inimigos. O Cardeal não está satisfeito com o Rei…”

Apesar dos avisos do Cardeal D. Henrique, da Rainha e da própria Espanha, para não se meter em tamanha aventura, D. Sebastião não reflectiu e tomou a imatura decisão. Como era conhecedor das terras e gentes marroquinas, não hesitou em organizar uma expedição militar àqueles territórios.

D. Catarina emitiu uma mensagem: “Oh! Não passe Sua Alteza em nenhum modo à Berbéria, aconselho-o que não vá, que eu fiz sempre o mesmo, oh! Não passe, que não convém.”

D. Sebastião continuou surdo a todos os apelos e avançou para Alcácer-Quibir, para o precipício…

O descalabro da Batalha de Alcácer-Quibir, em Agosto de 1578, causou uma enorme consternação entre todos os portugueses, ficando o País sem um líder, sem um homem do leme que evitasse a tempestade que estava para acontecer, e caímos nas mãos castelhanas. Desapareceu o nosso Rei Sebastião mas nasceu a lenda Sebastianista, o mito mais acarinhado pelos portugueses. Foi há quatrocentos e quarenta anos e continuamos à espera do Desejado Messias, sobretudo quando as crises apertam…  

António Alves Fernandes

Agosto/2018

Setúbal

DIA DA MULHER

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