“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu e me enviou para anunciar a Boa Nova aos infelizes, a curar os cora­ções atribulados … a proclamar o ano da graça do Senhor … a con­solar todos os aflitos”. É esta a Boa nova que o profeta acaba de nos anunciar e nela conclui: “Por isso, sereis chamados sacerdotes do Senhor” ou também “ministros do nosso Deus”.

Todos os anos, na Missa Crismal de Quinta-Feira Santa, que é o grande momento do nosso encontro como Presbitério, escutamos esta passagem do Profeta Isaías. Nela está o anúncio antecipado da missão salvadora de Nosso Senhor Jesus Cristo. Isso mesmo nos diz o Evangelho de S. Lucas, quando coloca Jesus a ler esta passagem bíblica, numa das regulares assembleias semanais realizadas na Sinagoga e termina com palavras do mesmo Jesus, a dizer: “Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir”.

Podemos dar mais um passo e relembrar quer, na missão de Cristo hoje descrita pelo Evangelho de Lucas com palavras de Isaías, está definida a nossa missão de sacerdotes do Senhor e ministros do nosso Deus, para retomar as expressões do profeta.

Por isso, quando hoje renovarmos, dentro de momentos, as nossas promessas sacerdotais, é esta a grande referência que queremos conservar na nossa memória. Todo o nosso ser de sacerdotes e a missão que nos está confiada têm uma única fonte. Essa fonte é a unção do Espírito Santo, que pousa sobre cada um de nós permanen­te­mente. E pousa sobre cada um de nós para nos enviar, sendo a ra­zão e o conteúdo deste envio os mesmos que teve o envio de Jesus Cristo pelo Pai. Como Jesus e na profunda união com Ele, somos, de facto, enviados para anunciar a Boa Nova, curar os corações atri­bulados, para consolar todos os aflitos. Sermos rosto visível do coração bondoso e misericordioso de Deus é, assim, o essencial da nossa missão. E se tudo o que fizermos não conduzir para aqui, não cumprimos a nossa missão, por mais que esgotemos as nossas forças físicas e anímicas.

A grandeza da missão que nos está confiada desde a nossa Ordena­ção Sacerdotal enraíza, assim, na unção do Espírito Santo e na pro­funda identificação com Cristo, Sacerdote e Pastor do Seu Povo. Dar-lhe cumprimento na nossa existência quotidiana, pessoal e comunitária, encontra dificuldades, como todos nós experimenta­mos diariamente. Dificuldades que nos são impostas do exterior, umas; e outras que derivam também das limitações e fragilidades próprias de cada um de nós. Há, de facto, dificuldades que nos são impostas pelas circunstâncias da vida atual. E sentimos que se repete para nós o aviso do próprio Cristo aos seus discípulos, quando os enviou a pregar e lhes disse: “Envio-vos como ovelhas para o meio de lobos”. Estamos, de facto, num mundo, que olha para a Igreja com desconfiança e para os padres com mais desconfiança ainda. É um mundo fortemente crítico da Igreja e do nosso ministério no qual vigora a indiferença em relação a Deus, insensibilidade relativamente às realidades espirituais e mesmo a oposição declarada aos valores do Evangelho. Para vivermos num mundo assim, nós padres temos de aprender a conviver com a indiferença e a incompreensão, com a oposição e a rejeição, com o desprezo e a ingratidão, com o insucesso e o fracasso, unicamente escudados na certeza da Fé e no exemplo do nosso mestre Jesus Cristo, onde se cruzaram também todas estas realidades e contra­dições.

Mas as dificuldades vêm também de nós mesmos, que somos limi­ta­dos e em muitos pontos tocados pela fragilidade que é comum a todos os seres humanos. Por isso, temos também de aceitar e com­pletar, com a cooperação dos outros, as nossas limitações e apren­der a superar as nossas fraquezas tanto as de ordem física como as de ordem espiritual. Precisamos de uma saúde forte e completa, que envolva todas as dimensões do nosso ser humano; e temos de a cultivar com recurso aos meios, sendo o mais importante de todos eles a nossa espiritualidade sacerdotal. A nossa espiritualidade sacerdotal tem sempre a sua fonte e o seu ambiente no Presbitério e a única razão disso mesmo é porque o Senhor assim o quer. Daí que seja fundamental a relação de proximidade e verdadeira co­ope­ração entre todos nós sacerdotes, sabendo que para isso é necessário que cada um de nós cresça todos os dias na capacidade de ajudar os outros e também de se deixar ajudar por eles.

Só com uma espiritualidade sacerdotal assim, devidamente enrai­zada e fortalecida na relação com o Senhor Ressuscitado e único Bom Pastor, os nossos compromissos de celibato podem ganhar toda a transparência e valor acrescentado para serviço do Reino de Deus. Só essa mesma espiritualidade sacerdotal poderá dar sentido à obediência que prometemos na nossa Ordenação que tem de ser sempre compreendida como participação na obediência de Cristo à vontade do Pai que nos envia para anunciar o Evangelho da Salva­ção ao mundo de hoje. E também só desta relação forte com o Se­nhor Ressuscitado pode derivar aquela sabedoria que nos ensina a usar os bens materiais necessários sem em nada ficarmos depen­dentes deles, dando assim cumpri­men­to ao verdadeiro espírito de pobreza, que tem de marcar o nosso estilo de vida sacerdotal.

Ao contemplarmos, na Pessoa de Cristo Ressuscitado e único Bom Pastor, a grandeza do nosso Ministério e também os caminhos para superarmos as dificuldades que lhe são inerentes, queremos dar graças a Deus pelos sacerdotes do nosso Presbitério que completam, ao longo deste ano, os seus jubileus sacerdotais de 70, 60 e 50 anos de serviço à Igreja, no exercício do Ministério.

Assim, o Rev.do padre António Ventura da Silva Gabriel completou, no passado dia 8 de março, 70 anos de vida sacerdotal. Foi ordenado nesta nossa Sé Catedral, no ano de 1941, pelo Sr. D. João de Oliveira Matos, depois de ter frequentado os seminários dio­cesanos do Fundão e da Guarda. Iniciou a vida pastoral no arci­prestado de Trancoso, onde paroquiou várias paróquias durante 5 anos. No ano de 1946, passou a trabalhar nos arciprestados de Gou­veia e Celorico da Beira, sendo dispensado dos serviços paro­quiais diretos no ano de 1994, por razões de falta de saúde. O seu zelo apostólico e sacerdotal continuou e continua, pelo que damos abundantes graças a Deus.

Completam, ao longo deste ano, 60 anos de vida sacerdotal os Reverendos Padres Alberto Lourenço Coelho, António da Cruz Marcos Vaz, Manuel Joaquim Geada Pinto, José Atanásio Mendes e Jaime Rodrigues Carvalheira.

Os três primeiros foram ordenados nesta nossa Sé Catedral pelo Sr. D. Domingos da Silva Gonçalves, em 29 de julho de 1951; os dois últimos foram ordenados também pelo Sr. D. Domingos da Silva Gonçalves e respetivamente na Capela do nosso Seminário Maior, em 24 de março e na Igreja Matriz do Fundão, em 4 de novembro. Todos frequentaram os seminários diocesanos do Fundão e da Guarda.

O Reverendo Padre Alberto desenvolveu sempre a sua atividade pastoral nos arciprestados de Pinhel e Trancoso, tendo exercido responsabilidades pastorais em muitas paróquias destes dois arci­prestados. Acumulou com as responsabilidades paroquiais também o serviço espiritual à comunidade das irmãs vitorianas em Tran­coso e funções de professor. Por razões de falta de saúde, ficou nos últimos tempos dispensado da pastoral paroquial direta, mas continua a mostrar todo o seu zelo apostólico com colaborações regulares no arciprestado de Trancoso, onde reside.

O Reverendo Padre António da Cruz Marcos Vaz iniciou a sua vida pastoral no arciprestado de Trancoso, onde esteve durante 7 anos. Desde 1958 é Pároco de Nave de Haver. Entretanto completou a for­mação recebida nos nossos seminários diocesanos com a fre­quência da Universidade de Coimbra durante 4 anos e por graça de Deus continua a desempenhar as suas funções de Pároco.

O Reverendo Padre Manuel Joaquim Geada Pinto iniciou a sua vida pastoral nas Paróquias da Sé e S. Vicente desta cidade da Guarda e três anos depois passou a trabalhar no Colégio do Outeiro de S. Miguel e também como Diretor do Jornal “Amigo da Verdade”. Desde 1991 que é Pároco da Paróquia de Arrifana, desde 1999 membro do cabido da Sé da Guarda e, por inerência, membro do nosso Colégio de Consultores, continuando no exercício das suas funções, por graça de Deus.

O Reverendo Padre José Atanásio Mendes iniciou a sua ação pastoral ao serviço do Seminário do Fundão, onde exerceu, em momentos sucessivos as funções de prefeito e professor e as de Diretor Espiritual. Aí se manteve ao longo de 16 anos com um interregno de dois anos para ser Pároco de duas Paróquias no Arciprestado de Celorico da Beira. Em 1967 foi nomeado Pároco de Vale de Prazeres, no arciprestado de Alpedrinha, tendo exercido funções pastorais em outras paróquias do mesmo arciprestado e também dado valiosa colaboração no ensino. Por graça de Deus continua no exercício das suas funções.

O Reverendo Padre Jaime Rodrigues Carvalheira começou por exercer o seu ministério, durante dois anos, no Arciprestado de Trancoso. De 1954 a 1973 trabalhou no arciprestado de Seia e a partir desta data passou a exercer funções de capelão dos emigrantes portugueses no Luxemburgo e na Alemanha. De regresso, desempenha agora funções de administrador paroquial de Ourondo, no arciprestado do Fundão, pelo que damos graças a Deus.

Completam este ano 50 anos de vida sacerdotal, os Reverendos Padres Carlos Augusto Pina Paula, Manuel de Oliveira Campos, Agostinho do Nascimento Rafael, António Filipe Morgado e José Martins Registo. Todos, depois de frequentarem os Seminários Diocesanos do Fundão e da Guarda, foram ordenados pelo Sr. D. Policarpo da Costa Vaz, nesta nossa Sé Catedral, tendo sido ordenados os dois primeiros no dia 18 de março e os três últimos em 30 de julho.

O Reverendo Padre Carlos Augusto Pina Paula trabalhou sempre em Paróquias do Arciprestado de Celorico da Beira, frequentou a Universidade Católica em Lisboa para a licenciatura em Teologia Pastoral durante dois anos. Desde 1983 é Vigário Geral e Moderador da Cúria Diocesana, com funções de Ecónomo Diocesano e, por inerência, membro do Conselho Económico Diocesano. Em 1999, foi nomeado cónego capitular e, atualmente, por inerência, é membro do Colégio de Consultores da nossa Diocese.

O Reverendo Padre Manuel de Oliveira Campos iniciou as suas funções pastorais na Paróquia de S. Vicente da Beira, no arciprestado de Alpedrinha. Cinco anos depois passou para o arciprestado do Fundão, onde se dedicou principalmente às Paróquias de Fatela e Alcaide, mas também deu colaboração em outras.

O Reverendo Padre Agostinho do Nascimento Rafael iniciou a sua vida pastoral como prefeito e professor do Seminário Maior da Guarda, durante 5 anos. Em 1966 foi trabalhar para o arciprestado da Covilhã, tendo desenvolvido a sua atividade em várias paró­quias e acumulando com outros serviços, como sejam os de pro­fes­sor do Seminário do Verbo Divino, assistente do estabeleci­men­to prisional da Covilhã, membro da equipa diocesana de liturgia e música sacra. Nos anos de 1996 e 1997 frequentou a Universidade de Salamanca, para completar a sua formação.

O Reverendo Padre António Filipe Morgado trabalhou sempre em Paróquias do Arciprestado do Sabugal e prestou colaboração tam­bém nos arciprestados do Rochoso e da Guarda. Completou o servi­ço paroquial com o de professor de Religião e Moral.

O Reverendo Padre José Martins Registo desenvolveu o seu traba­lho pastoral, desde o início, em paróquias do Arciprestado de Man­teigas/Belmonte. Interrompeu durante algum tempo, quando foi chamado a dar a sua colaboração como prefeito e professor do Se­minário do Fundão. Cumulativamente com o trabalho das paró­qui­as desempenhou funções de Professor de Moral durante vários anos.

Não sabemos se estes e outros cargos desempenhados foram o que de mais importante fizeram na sua ação pastoral estes nossos irmãos sa­cer­dotes que cumprem datas significativas no exercício do seu Ministério. Só Deus sabe.

Pela nossa parte, queremos dar-Lhe graças por todo o bem que foi e continua a ser feito pela ação pastoral que eles desen­vol­veram e continuam a desenvolver. E, assim, julgamos interpretar os mais genuínos sentimentos de todo o Povo de Deus e em particular do nosso Presbitério. Que Deus os continue a cumular das Suas graças e bênçãos, na certeza de que o nosso sacerdócio, sendo partici­pa­ção do mesmo sacerdócio de Cristo, é para sempre.

D. Manuel R. Felício, Bispo da Guarda

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