MOMENTOS DE REFLEXÃO

A unidade Santa Cristina, pela Enfermeira Chefe, informou-nos que o Sector da Pastoral da SaĂşde, convida a todos a participarem nos momentos de reflexĂŁo, na Capela das IrmĂŁos Hospitaleiras, sobre a Quaresma.

O Conferencista Padre Nuno Santos, Reitor do SeminĂĄrio Maior de Coimbra, abordou o tema do JEJUM. NinguĂŠm o inventou, mas temos de ler e meditar na mensagem quaresmal do Papa Francisco.

Vamos refletir na Quaresma, que começa na Quarta-feira de Cinzas e termina na Quinta-feira Santa, depois da Ceia do Senhor, com os Apóstolos.

Neste tempo preparamos a Påscoa, que dura quarenta dias. E porquê, este tempo? Temos de regressar ao Antigo Testamento para nos lembrar, que o Povo de Israel, esteve cativo dos Egípcios nesse tempo, atÊ regressar à Terra Prometida. TambÊm Ê o tempo da gestação no ventre das nossas Mães.

A Quaresma deve ser um tempo que ajude a nossa vida espiritual de cristĂŁos assumidos, um tempo muito especial, muito importante.

O Orador convidou-nos para visitar o Seminário de Coimbra, uma Exposição – Caminho de Luz – Xilogravura – PAIXÃO – MORTE E RESSUREIÇÃO, do escultor Monsenhor Nunes Pereira. Esta Exposição começa precisamente com a Ressureição de Jesus Cristo, a Primeira Estação da Via- Sacra.

Os cristãos têm uma relação com a História, mas têm de meditar, ter um lugar na Ressureição do Divino Mestre, o pilar da nossa FÊ. Todos os dias lutamos por dias melhores, mas hå dias especiais. Hå pessoas só viradas para os jogos da sorte e do azar, outras passam os dias a ver os diversos filmes, jogos de futebol, a ler as vírgulas e os pontos finais de jornais desportivos, dos escândalos de corrupçþes, de roubos de milhþes, que acompanham a nossa sociedade, sem ninguÊm lhes por travão, embora a Comunidade Económica Europeia (C.E.E), jå tenha alertada para esta nefasta situação, para este polvo, que filhos e netos irão pagar com língua de palmo.

Nós cristãos temos de ver, ler, meditar, as páginas do Evangelho. Quantas vezes admiraram uma pintura, uma escultura e não descobrimos a riqueza que contém. É necessário passarmos muitas vezes e não atingimos o seu significado. Olhamos para as cidades que percorremos e saímos sem as ver. Até nas nossas casas não sabemos o que se passa. Acontece a todos sem exceção. Temos realidades que não vemos, outras por conveniência esquecemo-las rapidamente.

Temos de viver a Quaresma do princĂ­pio ao fim. HĂĄ trĂŞs instrumentos para a viver, – ORAÇÃO – JEJUM – ESMOLA.

Quando olhamos para um pobre, para um doente fragilizado, devemos ver Cristo. O Jejum Ê uma provocação à nossa autossuficiência, ao nosso consumismo. Quando passo por uma cidade, ainda meio adormecida, reparo em pessoas junto aos caixotes do lixo, à procura de restos de alimentos, e tantos a estragå-los. Vejo tantos a dormir debaixo de umas escadas, de uns lugarejos sombrios, embrulhados em cartþes. Temos de aprender a dar valor a essas pessoas, muitas delas com culturas superiores à nossa, mas que a infelicidade lhes bateu à porta, quais Filhos Pródigos. Em Lisboa jå conversei com alguns.

O Jejum Ê uma privação de alimentos, a redução de uma ou mais refeiçþes e abrange os estratos etårios dos 18 anos aos 59 anos. Estão dispensados os doentes. No passado fala-se muito no Jejum. Hoje fala-se pouco, quase nada. Na pråtica fica restrito a poucas pessoas. Hoje fazem dietas para ficar mais elegante, por estÊtica e por um sem número de motivaçþes. Quem faz Jejum era apelidado de antiquado, como algo descartåvel. Estamos bem instalados, deita-se alimentos para contentores, muito desperdício, não temos guerras, só as do futebol, da política, da corrupção que Ê abrangente a muitos setores da sociedade.

Em Coimbra estĂŁo a fazer um Estudo com robĂ´s para cuidarem dos Idosos. Onde colocam os afetos, os sentimentos as humanidades? NĂŁo sĂŁo verdadeiros e temos de ganhar as pessoas.

Onde estĂĄ a ĂŠtica? Sempre nĂłs e nĂłs, sempre a satisfazer as nossas comodidades! E os idosos, os fragilizados, os que passam fome e sede, os abandonados e solitĂĄrios?

O Papa Francisco, apela-nos para fazermos experiĂŞncias de Jejum e AbstinĂŞncia, para os que sofrem, para os excluĂ­dos, nos que passam fome e sede, dos despojados de guerras fratricidas, dos que nĂŁo tem trabalho.

Em vez de comermos três ou quatro refeiçþes, comamos uma, não estraguemos os alimentos, porque à nossa beira hå quem precise deles. A Abstinência não Ê comer carne, atÊ porque hå quem goste mais de peixe. Antigamente as nossas Mães nos dias especiais e de Festa, coziam alguma carne, porque não abundava. Façamos Jejum e Abstinência a pensar nos mais necessitados, e aquilo que não gastamos deve ser dado aos pobres e a Instituiçþes de Caridade.

Visitar um doente, um recluso, dar roupas e alimentos que nĂŁo precisamos, uns conselhos oportunos, consolar um aflito, conversar com pessoas debilitadas. Tanto para concretizar na Quaresma e em todos os dias do Ano.

Hå uma visita diåria que vem ver um familiar doente que distribui afetos por todos, då conselhos, a sua mão direita não sabe o que faz a esquerda, consola, apoia gentes despedaçadas, e ao fim-de-semana, ainda faz mais de trezentos quilómetros, para dar Catequese, na sua Comunidade Paroquial. Um grande exemplo como se deve viver a Quaresma.

Os Momentos de Reflexão terminaram com a Exposição do Santíssimo, umas Oraçþes e a Reconciliação nesta Comunidade.

AntĂłnio Alves Fernandes

Aldeia de Joanes

Março/2018