Dei-me ao trabalho de recolher frases e notícias nestes dias pré-natalícios. Que cada um tire as suas conclusões.

  1. Manuel Linda, Bispo das Forças Armadas, recordou “ os milhões de lâmpadas que se acendem no Natal; quanto muito, mudarão a história das máquinas registadoras.”

No écran de uma televisão, apareceu no rodapé a notícia: “a Câmara Municipal de Lisboa gasta trezentos mil euros nas iluminações do Natal.” Isto é que vai uma crise…

As autarquias gastam neste Natal mais de 185 mil euros em iluminações de espaços públicos, em relação ao ano anterior; e algumas estão repletas de dívidas…

Os caloiros do Instituto Politécnico de Bragança organizaram uma Praxe Solidária, conseguindo algumas centenas de quilos de produtos alimentares, e distribuindo cabazes com instituições de solidariedade social. Um bom exemplo e uma boa maneira de festejar o Natal.

A comunicação social informa-nos que existem em Portugal oito mil crianças retiradas aos seus progenitores por falta de amor e carinho, a maior taxa nos países da União Europeia. Os Presépios destes meninos são as instituições de solidariedade social que os abrigam.

O Papa Francisco, no Parlamento Europeu, pediu “ uma Europa que gire, não em torno de uma economia, mas de uma sacralidade da pessoa humana; não podemos tolerar que o Mediterrâneo se transforme num grande cemitério”, apelando ao acolhimento e apoio aos imigrantes ilegais, que chegam às fronteiras de outros países.

Numa candidatura à Unesco, o Cante Alentejano foi considerado Património Imaterial da Humanidade, um ato que prestigia a cultura portuguesa, uma homenagem ao Povo do Alentejo e a uma música de unidade e solidariedade.

O Papa Francisco decidiu que o próximo ano será dedicado à Vida Consagrada que se iniciou no Advento – 30 de Novembro-, e terá o seu encerramento a 21 de Fevereiro de 2016 sob a temática “ Chamados a levar a todos o abraço de Deus”, atribuída pelo CEP (Conferência Episcopal Portuguesa). Todos nós temos de manifestar gratidão a tantas pessoas consagradas que nos ajudaram a crescer em todos os aspetos religiosos, culturais, sociais e humanos.

Numa Paróquia deste país, um sacerdote-cantor, no final de uma eucaristia televisiva, afirmou que “ era um privilégio estar aqui a trabalhar nesta comunidade”, enquanto outros afirmam estar cansados de servir esse Povo de Deus e procuram estar longe do “ cheiro do rebanho.”

Um comentador semanal de uma TV lê uma carta de uma jovem estudante de Vila Franca de Xira, que relata o que viu numa visita à Assembleia da República, durante a discussão do Orçamento do Estado para 2015: deputados entretidos com os seus computadores, sem qualquer atenção ao que se passava, mais interessados “ em ver raparigas avantajadas no Facebook”. Assim se comportam alguns representantes do Povo que os sustenta. Depois queixam-se das críticas.

Da capital do Império, embora longe da Primavera, já nos chega o canto de um cuco mor, coadjuvado por pequenos cucos. Os camponeses e agricultores desconfiam de cantorias ao ar livre no Inverno e os marinheiros já não vão no canto das sereias.

Diz um companheiro da apanha da azeitona: “nós, ao vermo-nos ao espelho, analisamo-nos melhor e damos maior dignidade aos outros; quando me vejo melhor aproximo-me do outro.”

Num debate televisivo sobre o empobrecimento, alguém afirmou que “em Portugal não há uma cultura de solidariedade. Não há trabalho voluntário nas nossas escolas, nas nossas universidades. Solidariedade e trabalho voluntário não entram em qualquer programa escolar”.

Um Bom e Santo Natal a todos os meus amigos leitores e suas famílias, com a luz do Presépio de Belém, são os meus sinceros e cordiais votos.

 

António Alves Fernandes

Aldeia de Joanes

Dezembro/2014

 

NATAL – 2014 – APONTAMENTOS

NATAL – 2014 – APONTAMENTOS

Comentários

Comentários