O AZEITE

Hoje lembrei-me de escrever sobre o azeite, depois do fim da apanha da azeitona nos olivais da Beira Baixa, principalmente da casta galega, embora ultimamente se plantem árvores de outras castas mais rentáveis, sem a qualidade da primeira.

As azeitonas, depois de terem passado pelos suplícios dos lagares, dão aos olivicultores o preciso líquido…

Nos tempos actuais substituíram-se as varas, as mós, os utensílios artesanais, a força humana e animal, por novas tecnologias de moagem. No entanto, há quem afirma que o azeite obtido por meios arcaicos era melhor, tinha outras “liturgias”.

Com as normas exigentes da CEE, esses lagares foram desactivados, outros foram transformados em museus, curiosidades turísticas, alguns simplesmente destruídos.

O azeite é um clássico da culinária portuguesa com benefícios para a saúde.

Quem não gosta, principalmente na Noite da Consoada, de um bom azeite para amolecer as couves, adocicar as batatas e enriquecer o bacalhau? Este prato de excelência, bem português, tem no azeite o seu principal segredo.

Em tempos mais antigos, também as nossas casas eram iluminadas por almotolias alimentadas com azeite, a única substância de onde surgia uma fonte de luz artificial. Esta chama viva era em muitas igrejas a luz sempre presente junto do sacrário, do Santíssimo Sacramento. Hoje usa-se a electricidade, embora em muitas localidades se mantenha a tradição antiga.

Para se comemorar a Festa do Azeite, decorreu no Fundão durante vários dias o 14º Festival da Tibórnia, participando diversos restaurantes do concelho, sinal de que o azeite está vivo e a regar bem a tradição. Bem-vindo azeite novo!, é o que parece dizer o prato satisfeito quando recebe o primeiro fio a escorrer deste produto fundamental na dieta mediterrânica.

As propriedades do azeite são inúmeras e dão à comida sabor e aromas peculiares. Além disso, o azeite tem anti-gorduras, é rico em vitaminas e em antioxidantes.

É altamente energético, uma vez que as gotículas extraídas das azeitonas estão protegidas por uma membrana constituída por glicéreos.

Quanto aos benefícios, temos a redução da acidez gástrica, a prevenção dos problemas cardiovasculares e o controlo dos níveis do colesterol.

Contribui para o crescimento e mineralização dos ossos, para a conservação dos tecidos, retardando o envelhecimento.

Quem comprar azeite, tem de ter atenção ao grau de acidez, mas também ao cheiro e sabor. Os azeites virgens e super virgens dominam o mercado português, mas há quem prefira com mais acidez, dizem “a saber mais a azeite.” Há sabores para todos os gostos.

Também na Cova da Beira, Penamacor, Caria e Belmonte, se fabrica sob orientação do rabino o azeite “KOSHER“ – para consumo da comunidade judaica em Portugal e no resto do mundo.

Para terminar, recordo o poema de Moreira das Neves: “Oliveiras cor de luto/Dão azeite cor de mel/Também os livros dão fruto/Entre folhas de papel.”

António Alves Fernandes

Aldeia de Joanes

Janeiro/2019

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