Nota de imprensa da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios sobre o VII Simpósio do Clero, a realizar em Fátima nos dias 4 a 7 de Setembro de 2012.

 

A melhor forma de agradecer um dom é aceitá-lo, acolhê-lo, valorizá-lo, dar ao outro a alegria de o poder dar ou de o ter dado. Recebê-lo, agradecido, é cuidar dele. E cuidar dele é zelar para que não se degrade, é vigiar para que não se extinga. É, fundamentalmente, reavivá-lo.

 

Do dinamismo originário da fé cristã faz, precisamente, parte integrante e constitutiva a lógica do dom que é a mesma lógica da confiança e do oferecimento. Deus revela-Se, faz-Se dom, a humanidade acolhe e oferece-se confiadamente nas mãos de Deus. E a fé surge, simultaneamente como dom de Deus e resposta livre do homem, manifestação de que a revelação de Deus chegou ao seu destinatário.

 

De facto, quem não confia também não se deixa interpelar nem chamar; quem não sai de si mesmo também não sabe nunca acolher; quem não é capaz de se dar gratuitamente também não sente nunca a alegria dos dons que recebe; quem não sabe agradecer também não é capaz de viver sem estar permanentemente a exigir recompensas, a estudar estratégias, a evidenciar e expor direitos, a reivindicar atenções para satisfação pessoal, enfim, a mercantilizar os sentimentos.

Entrar na lógica do dom é diferente, é surpreender-se e deixar-se surpreender na gratuidade. É antecipar-se na caridade. É aí, de resto, que acontece a nossa maior semelhança com Deus (o amor e o amar) e é aí que somos mais humanos. Quem não é capaz de entrar na lógica do dom não é capaz de entrar na relação da fé.

 

A Igreja, por iniciativa do Santo Padre, o Papa Bento XVI, prepara-se para celebrar um “Ano da Fé”. Com início em Outubro próximo, no cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II e quando se completam vinte anos sobre a publicação do Catecismo da Igreja Católica,  o Ano da Fé terá o seu termo na Solenidade de Cristo Rei em Novembro de 2013 e é um convite e uma ocasião para  descobrir novamente os conteúdos da fé professada, celebrada, vivida e rezada e, ao mesmo tempo, reflectir sobre o própri acto com que se crê (Bento XVI, PF 16).

 

Numa Igreja, sacramento e sinal de Cristo (a Luz dos Povos, LG 1), pertencendo ao Senhor e por fé, os Presbíteros são os servidores do baptismo dos seus irmãos cristãos, que o mesmo é dizer, são servidores da fé do Povo de Deus e são servidores da renovação dessa mesma fé. Estando marcados por uma unção que os identifica ao Bom Pastor, Jesus Cristo, os cristãos esperam encontrar nos presbíteros não apenas um homem que os acolhe, que os escuta voluntariamente, que lhes testemunha simpatia, amizade ou solidariedade, mas também e sobretudo um homem que os ajuda a olhar  para Deus, a elevar-se para Ele e a projectar a vida com base n’Ele. Sacramentalmente. O serviço de Deus é, aliás, o fundamento sobre o qual se constrói o autêntico serviço dos homens.

 

O VII Simpósio nacional do Clero, a realizar entre 4 e 7 de Setembro próximos em Fátima e subordinado ao tema “O Padre, Homem de fé – do Mistério ao ministério” pretende, na sequência do desafio e convite que o Santo Padre faz a toda a Igreja, promover uma reflexão da profunda relação entre a fé e o ministério dos presbíteros.

Integrado no “Ano da Fé”, é desejo do Simpósio proporcionar uma reflexão e um percurso que partem das raízes e fontes da fé para e conduzem à consciencialização, reflexão e vivência das consequências existenciais da própria fé. Na sua dimensão sacramental e ministerial, o Sacerdócio ministerial é, necessariamente, consequência do processo de fé no qual Deus Se revela, forma aquele a quem Se revela e o chama ao seu serviço.

 

O horizonte de fundo do Simpósio coloca-se, pois, na articulação entre o Mistério (da fé) e Ministério (do Padre), a sua realção, os momentos processo, as implicações na vida dos que aceitam ser chamados, a credibilidade da fé para conduzir à consagração, a relação da existência presbiteral nos desafios quotidianos com a fonte da fé.

Na sua Carta a Timóteo (2 Tim 1, 6), Paulo convida-o a “reavivar” o dom de Deus. O verbo “reavivar” é o mesmo que se utiliza quando se trata de significar o avivar ou o reacender de um fogo. E é nesse sentido que é extremamente interessante que seja dito que o homem tem responsabilidade em reavivar em si mesmo o dom de Deus.Significa que para acolher um dom tem de se entrar na lógica do que é gratuito, na lógica da capacidade de admiração, na lógica do extasiamento, na lógica do que dá com alegria de dar e sem estar a prever a recompensa.

 

O VII Simpósio do Clero pretende, desta forma, colaborar com todos e cada um dos Presbíteros no trabalho e processo de, permanentemente, “reavivar” o dom de Deus à Igreja e ao mundo que é o seu ministério presbiteral refontalizado na fé.

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