O VAR

No tempo das novas tecnologias para tudo e para nada, inventaram agora um VAR (vídeo-árbitro) para o mundo da bola. Este sistema tecnológico só pode intervir em lances de penalty, golos, agressões, expulsões e troca de identidade de jogadores, em situações em que as imagens televisivas demonstrem clara e inequivocamente que a decisão inicial do árbitro foi errada. Este mecanismo é comandado e dirigido por um grupo de árbitros instalados na cidade do futebol. O jogo tem de parar quando há dúvidas e se elas persistirem ainda se vai consultar um écran televisivo instalado no próprio estádio.  Tantos olheiros e ainda acontecem erros graves!

Há tempos apareceu um vídeo na internet com um lance de futebol, não sei se verdadeiro se falso, mas afirmava que tinha acontecido num jogo de futebol na segunda divisão da Argentina.

Numa jogada, o guarda-redes atira uma bola contra as costas de um jogador adversário e esta está quase a entrar na baliza quando passa um cão e evita o golo. Se este caso acontecesse em Portugal como o VAR iria resolver o problema? Como reagiriam os senhores comandantes do VAR? Golo? Reposição da bola para o guarda-redes? Mandar saber a cor da vestimenta do canino, para uma possível filiação clubística? E se é daqueles cães que não tem dono, que não é possuidor do chip? E se foi subornado, irá para a cadeia ou para um canil? Fica proibido de voltar aos estádios? Fica naquelas galerias de segurança para os assistentes mais rebeldes? E se dessem um chuto no cão, o VAR seria substituído pelo PAN?

Este episódio do Campeonato Secundário da Argentina lembra as peripécias do nosso VAR quando se trata de proteger determinados emblemas, os chamados grandes da bola. Há lances que qualquer cidadão observa a falta, mas algumas vezes não se consulta nada nem ninguém, mas se o mesmo fenómeno se observar na equipa mais pequena, a falta é logo assinalada, sempre na protecção dos mais poderosos. É difícil David vencer Sansão, mas muitas vezes isso acontece com grande surpresa e resultados surpreendentes.

Esta palavra tão pequenina, apenas com três letras e a dar tanto pretexto de discordância em tantos programas desportivos… Há dias um conceituado treinador afirmava que o futebol português é uma hipocrisia.

Também há quem apele para existir uma caixa negra como têm os transportes aéreos. Se já há a cor azul, vermelha, verde, a que melhor assenta é realmente a da escuridão.

O VAR deve estar para os árbitros como as redes sociais para o povo. Bem utilizado é uma mais valia, mal utilizado não vale nada e vem acrescentar mais confusão e inúmeros e inúteis debates a que só os doentes da clubite assistem, enquanto a maioria está incomodada com as greves, o custo de vida, o desemprego, a habitação, o trabalho, a saúde, a justiça… Já não se deixam anestesiar, por muito que se queira fazer esquecer esta fábrica de pobreza onde se “empregam” perto de dois milhões de portugueses.

Uma pergunta fica no ar: será que o VAR está abaixo de cão?

António Alves Fernandes

Aldeia de Joanes

Dezembro/2018

UM METEOROLOGISTA VOLUNTÁRIO – PADRE LATINHAS

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