Escutámos a Palavra de Deus no Evangelho de S. Marcos que hoje nos faz a proposta de um autêntico programa de vida, que há-de ser também o programa da nossa Quaresma. Esse programa está resumido no apelo de Jesus – arrependei-vos e acreditai no Evangelho.
Como a experiência nos diz, este programa de vida, para ser cumprido, encontra dificuldades e sobretudo solicitações para o seu contrário. Essas são as tentações que Jesus voluntariamente suportou e a nós constantemente nos assaltam. Jesus não teve pecado, mas aceitou passar pela tentação. Conduzido pelo Espírito Santo ao deserto, aí foi tentado durante 40 dias, diz a passagem do Evangelho de S. Marcos.
O programa de vida que queremos viver nesta Quaresma assenta no reforço da aliança com Deus, de que hoje também fala o Livro do Génesis e foi essa aliança que cada um de nós selou com o seu próprio Baptismo.
Ora a Quaresma sempre foi e continua a ser tempo forte de preparação para o baptismo, no caso dos catecúmenos; e também para que os baptizados repensem a sua condição de discípulos de Cristo e se preparem para renovar as promessas baptismais na noite pascal.
A quaresma é sobretudo tempo para contemplarmos, de forma mais intensa, a bondade e a misericórdia de Deus reveladas na Pessoa de Nossa Senhor Jesus Cristo. No Evangelho de hoje Jesus anuncia que o tempo do Reino de Deus já chegou; mas para ele se implantar de verdade na nossa vida pessoal e na sociedade precisa da colaboração de cada um de nós. Ora, diante do Reino de Deus que nos é oferecido somos todos chamados a uma atitude de conversão e de aceitação do Evangelho. Por sua vez, todos nós, na medida em que acolhemos o Evangelho de Jesus e o colocamos em prática, transformamo-nos em palavra viva de Deus anunciada ao mundo. E um mundo que continua a precisar muito de reconciliação, de perdão e do acolhimento amoroso de quem seja capaz de contribuir para curar as muitas feridas que continuam a dilacerar o corpo e a alma das pessoas.
É neste acolhimento, assente na proximidade com cada homem e mulher, nossos companheiros na viagem da história, que nós queremos crescer durante a Quaresma.
E desejamos que a nossa renúncia quaresmal seja a melhor expressão deste acolhimento, na medida em que vai contribuir para promover a plena integração na vida de construção da sociedade de muitas pessoas que, sobretudo por causa do flagelo do desemprego, de facto, estão à margem. É esse o sentido do fundo de apoio solidário que a nossa Diocese deseja criar, à semelhança do que fez a Conferência Episcopal para a generalidade dos muitos casos que afligem todo o país.
+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda

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