A transfiguração das pessoas e das comunidades baseada na Aliança

Jesus Chamou Pedro, Tiago e João, levou-os consigo para o monte e transfigurou-se no meio deles. No final ordenou-lhes que não dissessem nada a ninguém daquilo que viram, até que o Filho do Homem ressuscitasse dos mortos. E o problema é que eles não sabiam o que era ressuscitar dos mortos, como nos lembra também o Evangelho de hoje. Todavia, o mesmo Jesus, com escândalo dos Apóstolos, a começar por Pedro, tinha anunciado a sua morte e ressurreição e voltou a fazê-lo depois, sublinhando, assim, o ponto essencial da sua vida e da sua missão. Jesus veio para dar a vida por uma grande causa, que é a salvação da humanidade. E essa grande causa pela qual Deus Pai pediu tudo ao Seu Filho Único, é também aquela à qual nós somos chamados a subordinar todos os nossos decisões e comportamentos. Foi o que aconteceu ao Patriarca Abraão, com o qual Deus renovou a Aliança que já tinha estabelecido com Noé anteriormente. Abraão leva a sua coerência e fidelidade até ao extremo de não querer poupar o seu filho único Isaac, que aqui vemos como sendo o grande símbolo de Jesus. A prova máxima do Seu amor pela Humanidade deu-no-la Deus Pai ao não poupar o seu Filho único Jesus Cristo, mas entregando-o à morte, e morte de Cruz, por todos nós.
A cena da transfiguração que hoje o Evangelho nos relata é também convite à transfiguração de pessoas e comunidades para que o desígnio de Deus se cumpra na história da humanidade. Hoje Deus continua a querer revelar-se ao mundo através dos discípulos de Cristo e das suas comunidades. Como discípulos de Cristo, sentimos que os nossos sentimentos e comportamentos têm de estar sempre a ajustar-se aos do nosso Mestre, como aconteceu com Pedro e os outros apóstolos, que, de facto, ainda não entendiam, o anúncio que ele lhes fez da Sua Morte Ressurreição. Por sua vez, as comunidades cristãs precisam também de se transfigurar, de se renovar, tendo em conta sobretudo três grandes preocupações:
1ª) Serem verdadeiras comunidades eucarísticas e de oração;
2ª) Serem cada vez mais escolas de vida, a partir da Palavra de Deus acolhida e partilhada em grupo;
3ª) Aprenderem a viver a comunhão entre comunidades, sabendo nós que celebrar o Senhor morto e ressuscitado é aprofundar a relação com Ele e organizar os distintos serviços de que as comunidades precisam. E tudo isto tem de realizar-se em espaços cada vez mais alargados.
Que nesta Quaresma as nossas paróquias se deixem conduzir pela luz e dinamismo do Espírito, que, de facto, quer fazer novas todas as coisas e também renovar o quadro da nossa comunhão e das nossas relações em Cristo, para bem da Igreja e da sociedade.

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