QUARESMA

Estamos nas vivências quaresmais, devendo os cristãos aproveitar para uma profunda reflexão. A Quaresma é o tempo de preparação para a Páscoa, ou seja, a celebração da Ressurreição de Jesus Cristo.

O Papa Francisco, este ano, na sua habitual mensagem quaresmal, apresenta-nos uma proposta histórica da Igreja: o jejum, a oração e a esmola, com particular atenção aos outros e no papel da criação deste espaço onde vivemos. Por isso, neste tempo de peregrinação, o Santo Padre apela-nos para a compaixão e para a misericórdia de Deus. Estas três práticas, cujas fontes mergulham nos Evangelhos, são ferramentas de que cada cristão se deve munir para viver com mais intensidade a sua Fé.

Começando pelo jejuar, o cristão, deve acima de tudo apreender a modificar a sua atitude perante os outros irmãos. Não devemos ter a pretensão de alcançar tudo com a nossa voracidade. Temos de ter a capacidade de sofrimento sempre com o pensamento pelo amor do próximo, que preencha vazios do coração.

De nada serve fazer jejuns apenas na quarta feira de cinzas e nas sextas feiras da Quaresma, com abstinências de carne, se estes gestos não forem acompanhados com posturas de mudança de vida em relação aos outros e com a criação e também com o ambiente. O Jejum deve ajudar-nos a refletir que somos feitos de matérias débeis.

Segundo Isaías, (58, 6-7), “o jejum que me agrada é este: libertar os que injustamente foram presos, libertá-los do jugo que levam às costas, pôr em liberdade o oprimido, quebrar toda a espécie de opressão, repartir o pão com os esfomeados, dar abrigo aos infelizes sem casa, atender e vestir os nus e não desprezar o teu irmão.”

Dar esmola, acto para sairmos da insensatez de viver e acumular tudo para nós mesmos com a ilusão de asseguramos um futuro que não nos pertence.

A esmola, outra das três essências da Quaresma, não deve ser uma acção libertadora da nossa consciência, mas um gesto de caridade para com o irmão que sofre.

Finalmente a oração, não deixa de ser uma proposta para um espaço de encontro, e reencontro, entrando na intimidade de Jesus Cristo sem circunstancialismos temporais ou especiais. Orar é viver plenamente em Deus, Tê-lo ao nosso lado, a todo o momento.

A mensagem do Papa Francisco é de hoje, mas também é de um amanhã, colocando o próximo, o outro, o nosso irmão, nas práticas quaresmais de cada um de nós. Mas também teve o cuidado de nos alertar para os cuidados da criação, na linha do que já tinha escrito, e defendido na Encíclica “Laudato Si”, com grandes preocupações ambientais e também mudanças comportamentais, contemplando a preservação deste nosso espaço que chamamos Terra.

Unidos a Cristo, à sua Paixão Redentora, estes três chamamentos – jejum, esmola e oração – deveriam ser na realidade atitudes diárias da vida de um verdadeiro cristão.

Quaresma não é uma palavra de sombras e de tristezas. É a rampa para subirmos para o Monte Tabor e dali desfrutarmos a Vida e a Ressurreição, avistarmos a Nova Jerusalém.

António Alves Fernandes

Aldeia de Joanes

Março/2019

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