De um ano para o outro, fica logo marcada. Em 2015 foi a 43ª Peregrinação Franciscana Portuguesa em Fátima, no primeiro fim-de-semana de Outubro, com um programa-horário bem definido, coincidindo com a festividade de S. Francisco de Assis.
Mais uma vez, muitos peregrinos (embora em menor número do que em anos anteriores) partiram de Aldeia de Joanes e do País, para se juntarem ao evento religioso durante dois dias.

A temática dominante desta Peregrinação Franciscana a nível nacional assentou no seguinte: “Um Batismo-Uma Vocação-Uma Família”. O Guião diz-nos que “ a nossa vocação franciscana é um dom precioso da Santíssima Trindade, um carisma dado pelo Espírito Santo ao nosso Pai S. Francisco e seus seguidores para bem da Igreja e do Mundo.”
“O Batismo foi redescoberto como sacramento primordial, assim somos todos chamados para o seguimento de Cristo, que abre os horizontes da consagração, fundamenta a comum dignidade e legitima a diversidade.”
O Concílio Vaticano II fala da única Vocação à santidade, vivida na diversidade das vocações específicas.
A Família Franciscana, apesar de diferentes tons, cores, claustros, pedras, sandálias, caminha de mãos dadas e partilhadas.
No Centro de Paulo VI, além do acolhimento normal, fomos recebidos com uma saudação pelo presidente da Família Franciscana Portuguesa, seguindo-se a apresentação das congregações e grupos presentes e uma conferência.
Apesar de o apresentador tecer os maiores elogios ao conferencista, a sua palestra foi insignificante. Começou por citar a Carta Encíclica do Papa Francisco, Laudato si – Louvado Sejas – sobre o cuidado da casa comum, “ louvado sejas, meu Senhor, cantava São Francisco de Assis. Esse gracioso cântico recorda-nos que a nossa casa comum se pode comparar, ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma boa mãe, que nos acolhe nos seus abraços. Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, mãe terra, que nos sustenta e governa e produz variados frutos, flores coloridas e verduras.”
No domingo, 4 de Outubro, houve terço na Capelinha das Aparições e a seguir a Eucaristia Internacional, Num café local, onde veem-se as últimas notícias. Enquanto uma criança numa mesa colava os seus ídolos futebolísticos numa “caderneta oficial de cromos”, veio a informação de que Ruy de Carvalho teve uma queda em Portalegre e foi evacuado de helicóptero para o Hospital de Santa Maria. O rapaz dos cromos gritou para a mãe: “não me digam que o guarda-redes do Sporting já não joga?” Desconhecia que o acidentado era um dos maiores homens do teatro em Portugal. Assim a cultura desportiva neste País sempre acima de todas as outras…
Noticiava-se a chegada de refugiados, homens, mulheres e crianças que fogem à guerra e alguém comentou:“ isto não é nada bom, vai ser muito difícil, vão chegar problemas, com vestimentas estranhas, costumes e religiões diferentes.”
Há que seguir para o recinto onde se concentram os peregrinos… Numa homília curta, oportuna, o Reitor do Santuário falou da família, “que está no centro eclesial da Igreja.” Lembrou o “começo dos trabalhos do Sínodo da Família em Roma”. Fala-se que uma ala conservadora não deixa o Papa avançar com reformas.
Depois do almoço comunitário e antes de regressar à Cova da Beira, faz parte do ritual diário da maioria dos portugueses tomam um cafezinho, às vezes com um cheirinho.
Mais notícias na TV, desta vez são os votos a cair nas urnas, as eleições, as figuras políticas a preencher e a ocupar o espaço televisivo.
No País das Maravilhas, no dia das eleições, um ex-primeiro ministro e um banqueiro em prisão domiciliária dirigem-se para a mesa de votos sem custódia, sem escolta, sem vigilância, contrastando com um Presidente da República rodeado por sete seguranças…
O carrilhão da Basília anunciava as quinze horas, hora de partir, para se chegar a tempo de votações.
No próximo ano, esperamos estar em Peregrinação com a Família Franciscana Portuguesa e aguardar que a Nossa Senhora de Fátima realize o milagre ao Zé Peregrino para não pagar os parquímetros, nos diversos parques de viaturas ligeiras e pesadas em volta da sua casa. Livrou-nos da II Guerra Mundial, espera-se que nos livre desta taxa.

António Alves Fernandes
Aldeia de Joanes
Outubro/2015

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