VIAGEM A SETÚBAL

Há muito que estava agendada uma romagem de saudade, uma peregrinação escutista a Setúbal, região exemplar na formação dos valores de Baden Powell.
A duração da viagem permitiu ler um texto interessante do Bispo da Diocese da Guarda sobre os onze anos de serviço. Saliento o processo da preparação da Assembleia Diocesana a realizar no ano de 2017; o repensar a Catequese da infância e adolescência; as novas formas de fazer pastoral face à crise de vocações; a preparação e abertura do Jubileu Extraordinário da Misericórdia; a visita às vinte e oito Comunidades Religiosas da Diocese, enquadradas no Ano da Vida Consagrada.
Espera-se que, no corrente ano, o Bispo da Diocese visite as Sedes dos Agrupamentos dos Escuteiros da Região da Guarda, é por ali que também passa o futuro da Igreja.
Dou uma vista de olhos pelas páginas do Jornal do Fundão, a festejar o 70º Aniversário, e detenho os olhos na primeira página, onde o escritor Manuel da Silva Ramos questiona: Porque é que somos a única região a ter como Intercidades uma gerigonça destas?
O meu companheiro de viagem também me alerta para a geringonça que aí vem Dizem-nos os apóstolos das bem-aventuranças, que já não há crise, a austeridade acabou, tudo se venceu mudando as cadeiras e introduzindo uma varinha mágica. No entanto, o aumento do vencimento foi pendurado no estendal das promessas não cumpridas, daqui a dias não vai chegar para o que aí vem
Via rádio, chegam notícias do Luxemburgo, onde trabalham cem mil portugueses. Deste universo apenas votaram oitenta portugueses. Uma pergunta, Para que servem os consulados?, o outro respondeu, Para que servem as eleições?.
Recordou-se o saudoso Chefe Joaquim Alves Fernandes (nascido na Bismula – Sabugal), que durante mais de vinte e cinco anos se dedicou ao Escutismo na cidade de Setúbal, passando por diversos Agrupamentos.
Recordaram-se os saudosos Chefes Joaquim Oliveira e a sua irmã Amélia, dirigentes que todos os Escuteiros de Setúbal têm na sua memória, distinguidos com o Colar Nuno Álvares, a mais valiosa condecoração. Infelizmente o poder local nunca se lembrou destes dois grandes formadores da juventude setubalense.
Recordou-se o Padre Acílio, responsável pela Casa do Gaiato, em Algezur (Setúbal), local onde tantos acampamentos aconteceram, Homem de enormes preocupações sociais e humanas, solidário para com muitas famílias destroçadas e crianças abandonadas e com fome. A sua atitude tem tido muitos custos.
Recordou-se a caminhada de vinte quilómetros, de Setúbal a Águas de Moura, indispensável para a progressão na carreira escutista: a nossa aconteceu no primeiro de Maio de 1975. Éramos confundidos com militares, as populações diziam-nos que a guerra já tinha acabado e que não era necessário fazer exercícios militares”.
Recordou-se a tomada de posse de D. Manuel Martins como o primeiro Bispo da nova Diocese de Setúbal. Os Escuteiros tiveram necessidade de fazer um cordão de segurança, para que a cerimónia decorresse com normalidade. Foi necessário chamar as forças militares do COPCON, porque as forças de esquerda nem sequer respeitaram D. António Ferreira Gomes, Bispo do Porto, que sofreu na pele o exílio por ter desafiado as ideias políticas de Salazar.
Recordou-se Carlos Veloso, natural dos Forcalhos (Sabugal), administrador da Setenave, colaborador de D. Manuel, que encontrou soluções dignas para muitos trabalhadores.
Das memórias faladas passámos às memórias fotografadas na Casa de Cultura de Setúbal, junto à Praça de Bocage, onde visitámos uma belíssima exposição de Américo Ribeiro. Aí ficámos sem palavras.
António Alves Fernandes
Aldeia de Joanes
Janeiro/2016

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