O PAPA DE FÁTIMA

Há uma década deixou-nos e há um ano foi canonizado Santo. Aliás, deu-se cumprimento ao apelo de todo o povo presente no seu funeral: Santo súbito! Santo súbito!

Com a morte misteriosa de João Paulo I, que quase não aqueceu a Cadeira de Papado, o Conclave de 16 de Outubro de 1978 por escrutínio secreto elegeu o Cardeal Polaco Karol Wojtyla, que por sua vez escolheu o nome de João Paulo II. Iniciou uma longa caminhada papal de vinte e sete anos, a terceira maior na História da Igreja Católica. Homem de grandes experiências humanas, de grande cultura, falava quase todas as línguas ocidentais e de leste, sem esquecer o grego e o latim. Publicou catorze encíclicas.

Em 13 de Maio de 1981, o turco extremista Ali Agca, em plena Praça do Vaticano, tentou matá-lo com um tiro, atingindo-o nos intestinos. Só um milagre terá salvo a vida de João Paulo II. Estranha coincidência, nesse dia realizou-se em Portugal a tradicional peregrinação nacional e internacional a Fátima.

João Paulo II, na convalescença, leu muito da Mensagem de Fátima: documentos ligados ao terceiro segredo de Fátima, mais tarde tornado público. O segredo consistia na visão de dezenas de mortos e um homem vestido de branco com a batina manchada de sangue.

Perante este manuscrito da Irmã Lúcia, à época a vidente mais velha das Aparições da Cova da Iria, o Papa convenceu-se de que fora a intervenção divina da Virgem de Fátima que o salvara.

No ano seguinte, a 13 de Maio de 1982, João Paulo II realizou a primeira viagem apostólica a Portugal, onde visitou algumas cidades, embora a sua atenção se tenha centrado na Peregrinação Mariana a Fátima, para agradecer a sua vida. Mais tarde, com infinita misericórdia, visitou o turco que o baleara numa Cadeia Italiana e perdoou-lhe o ato criminoso. Talvez este gesto tenha inspirado O Papa Francisco a proclamar um Jubileu Extraordinário da Misericórdia, porque, “ somos chamados de maneira muito intensa a fixar e a olhar na misericórdia”, a iniciar-se a 8 de Dezembro de 2015, Solenidade da Imaculada Conceição e termina a 20 de Novembro de 2016, Festividade de Cristo Rei.

Também em Fátima foi alvo de novo atentado, desta feita do Padre espanhol tradicionalista – Juan Kroohn-, que lhe tentou espetar uma faca. Resultaram alguns pequenos ferimentos como confirmaram algumas testemunhas – ao chegar ao quarto da Casa do Carmo, as suas vestes iam ensanguentadas.

Em 1991, voltou pela segunda vez, participando principalmente nas Cerimónias da Peregrinação do 13 de Maio, na Cova da Iria.

Em 2000, pela terceira e última vez, já muito debilitado, esteve no Santuário de Fátima com a grande missão de beatificar os dois irmãos pastorinhos falecidos, Francisco e Jacinta Marto, cujos túmulos se encontram no interior desse local sagrado. Registe-se que no Pontificado de João Paulo II, quase dois mil fiéis subiram os degraus dos altares, 488 canonizações e 1345 beatificações.

A sua devoção por Nossa Senhora do Rosário de Fátima não tinha limites. Como prova disso, a bala que o feriu foi oferecida e colocada na coroa da Virgem; permitiu a ida da Imagem diversas vezes ao Vaticano; e, inclusive, mandou fazer um nicho em sua honra nos Jardins Pontifícios.

Fátima também não esqueceu o seu Papa. Ao lado da Basílica da Santíssima Trindade, a olhar para o local das primeiras aparições, encontramos a sua estátua. Todos os dias os peregrinos manifestam o seu carinho e devoção a essa grande figura da Igreja.

João Paulo II foi um Peregrino de Fátima e também do Mundo. Um Homem que tornou o planeta que habitamos mais humano. Um Santo dos nossos dias.

António Alves Fernandes

Aldeia de Joanes

Maio/2015

O PAPA DE FÁTIMA

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